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Cultura Hip-Hop

DJ Mariachi usa “Para-Noia” para empurrar o funk brasileiro às pistas globais

No novo EP, o produtor acelera BPMs e aproxima funk de música eletrônica em uma trilogia sobre colapso, reconstrução e futuro.

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DJ Mariachi em imagem de divulgação do EP Para-Noia

DJ Mariachi lançou “Para-Noia”, segunda parte de uma trilogia em que usa o funk como linguagem para atravessar caos, reconstrução e futuro. O novo EP acelera o andamento, amplia a presença de timbres sintéticos e coloca a música eletrônica mais perto do centro da produção.

O trabalho saiu em 1º de outubro pela ONErpm e tem cinco faixas. Em entrevista à Billboard Brasil, Mariachi explicou que esta etapa deixa os elementos eletrônicos mais perceptíveis e busca levar a fusão do funk com a música eletrônica para fora do Brasil.

De Colapso para Para-Noia

A primeira etapa da trilogia, “Colapso”, trabalhava a ideia de desestruturação. “Para-Noia” vem depois como um movimento de reconstrução, mas sem abandonar a tensão. Os BPMs sobem, as texturas ficam mais sintéticas e o groove do funk permanece como eixo para que a produção continue reconhecível mesmo quando se aproxima de códigos de pista internacionais.

Essa lógica ajuda a posicionar Mariachi dentro da chamada música eletrônica periférica brasileira, uma cena que não tenta apagar a origem do funk para entrar no circuito eletrônico. O objetivo é justamente usar essa origem como diferencial de linguagem.

O funk brasileiro continua abrindo novas rotas

“Para-Noia” aparece em um momento em que produtores brasileiros exploram cada vez mais o espaço entre baile, house, bass music e eletrônica experimental. Não é uma simples tentativa de traduzir o funk para outro público, mas uma disputa para que a estética periférica seja reconhecida como tecnologia musical própria.

A Rap Growing já mostrou essa aproximação por outros caminhos, como a mistura de DJ Topo e MC Lina entre Miami Bass, eletrofunk e funk de Belo Horizonte. Mariachi vai para uma direção mais eletrônica, mas o ponto de contato é o mesmo: produtores brasileiros usando repertório local para dialogar com pistas que já não têm fronteira tão definida.

O terceiro capítulo da trilogia se chama “Meu Mundo” e ainda não tem data anunciada.

Crédito da capa: DJ Mariachi / Divulgação.

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