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BRABA Beats vende beats de produtoras mulheres a R$ 100 num mercado em que elas são 4,4%

A loja da BRABA Music coloca beats de produtoras mulheres a R$ 100 e mira artistas independentes, num mercado em que elas assinam 4,4% das produções do Hot 100.

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Produtoras mulheres reunidas no camping da BRABA Beats, plataforma que vende beats feitos por mulheres

A BRABA Beats entrou no ar como loja de beats produzidos só por mulheres, com faixas a R$ 100, e já traz no catálogo nomes como Ayla On The Beat, Gau Beats e Anônima Beats. A plataforma é da BRABA Music, gravadora e produtora cultural voltada a artistas mulheres e LGBTQIAPN+ no rap e no funk, a mesma faixa de cena em que Maru2D se tornou a primeira mulher a assinar com a NADAMAL.

O modelo é direto. A produtora sobe o beat, o artista escuta a prévia, escolhe a licença e fala com quem produziu. A loja divide o catálogo por gênero, com trap, drill, funk, boombap, R&B, afrobeat, techno, jersey club, grime e UK garage, e descreve a operação como feita por mulheres para artistas mulheres.

Como funciona a BRABA Beats

O preço é o ponto que a empresa chama de social. A maior parte das faixas aparece como beat aberto, com valor cheio de R$ 200 e promocional de R$ 100, e há faixa marcada como beat fechado, formato em que a instrumental sai de circulação depois de vendida. A loja não detalha na vitrine o que cada tipo de licença permite em termos de registro e distribuição.

A BRABA Beats foi criada por Andressa Versa, conhecida como MC Versa, artista, produtora cultural e estrategista de música. A tecnologia da plataforma é de Gisele Tavares, fundadora do Ciber Café, segundo a Billboard Brasil.

Versa começou a rimar na metade da década de 2010, veio de batalha de rima fora do eixo Rio e São Paulo e tem ligação com Santa Catarina. Lançou o álbum de estreia, Gostosa & Brilhando, em 2024, com participação de Juju Rude.

Os números que explicam a plataforma

A produção musical é a função mais fechada da indústria para mulheres, e o dado não melhorou. No levantamento Inclusion in the Recording Studio, da Annenberg Inclusion Initiative da Universidade do Sul da Califórnia, elas assinaram 4,4% dos créditos de produção das músicas do Billboard Hot 100 de fim de ano em 2025.

É queda em relação aos 5,9% de 2024 e distância grande do pico recente de 6,7%, registrado em 2023, conforme o resumo do estudo publicado pela Mix Online. No mesmo recorte, a presença feminina foi de 36,1% entre os artistas e de 14,5% entre os compositores, as duas também em queda.

No Brasil, a Billboard Brasil cita estudo da UBC segundo o qual mulheres recebem cerca de 10% dos direitos autorais distribuídos no país, e a produção fonográfica responde por apenas 1% do que elas ganham na entidade. O desenho da BRABA Beats ataca exatamente essa casa decimal: vender a instrumental é o momento em que a produtora cobra pelo trabalho antes de qualquer execução.

Por que vender beat importa para o artista independente

Para quem está começando, o beat é o maior gargalo. Quem não tem acesso a produtor cobra favor, usa instrumental de YouTube sem contrato ou grava em cima de base de outro artista, e descobre o problema quando tenta distribuir a música e registrar a obra. Um catálogo com preço na vitrine e contato direto com a produtora resolve a parte jurídica e a parte humana ao mesmo tempo.

O mercado de venda de beat online existe há mais de uma década, dominado por plataformas internacionais que funcionam em dólar e cobram taxa por transação. Uma loja brasileira com preço em real, curadoria de catálogo e nome por trás de cada faixa muda o cálculo de quem tem R$ 100 para investir, não R$ 100 mais câmbio e tarifa.

Vale lembrar o contexto da cena: a formalização da produção virou tema central no rap brasileiro, de gravadoras montadas pelos próprios rappers a mentorias abertas por produtores estabelecidos. A BRABA Beats entra nesse movimento pelo lado da porta de entrada, e não pelo topo.

O que ainda não está claro

A loja não publica quantas produtoras compõem o time, qual é a divisão de receita entre plataforma e produtora, nem se o preço promocional de R$ 100 é permanente. Também não há informação pública sobre meta de catálogo, prazo da promoção ou se o beat fechado transfere exclusividade total para o comprador.

São respostas que mudam o valor prático da plataforma para quem produz. Enquanto isso, a parte difícil já está feita: existe um endereço onde o trabalho de produtora mulher aparece com nome, gênero e preço, em vez de depender de indicação em grupo de WhatsApp. É o mesmo tipo de infraestrutura que a cena independente vem cobrando das plataformas grandes, como na discussão sobre a retirada de 50 milhões de músicas de IA das recomendações do Spotify.

Fontes e créditos

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