Em parceria com o Rhuas Art, a mentoria terá quatro encontros voltados para quem quer entender como funciona a construção de um grande espetáculo antes, durante e depois do palco.
Quem faz um grande artista acontecer nem sempre está em cima do palco. Muitas vezes, o trabalho mais decisivo acontece antes da luz acender, antes do público entrar, antes do artista pegar o microfone e antes do show virar o recorte que todo mundo vê nas redes sociais.
É justamente esse universo que Thiago Tico, produtor de Filipe Ret, vai abrir em uma nova mentoria exclusiva sobre produção geral. A iniciativa acontece em parceria com o Rhuas Art e foi pensada para quem quer entender, na prática, o que sustenta uma carreira artística de alto nível por trás dos holofotes.
Filipe Ret é hoje um dos nomes mais relevantes do rap nacional, com uma trajetória construída entre música, empreendedorismo, shows de grande porte, estética própria e forte conexão com o público. Nesse tipo de operação, o artista é o rosto mais visível, mas existe uma estrutura inteira trabalhando para que cada entrega aconteça com força, organização e impacto.
A mentoria de Thiago Tico nasce exatamente desse ponto: mostrar que o palco é apenas o resultado. Antes dele, existe planejamento, leitura de mercado, gestão de pessoas, alinhamento com artista, bastidor, equipe, processo, tomada de decisão e uma série de responsabilidades que não aparecem no feed, mas definem o nível de uma carreira.
O que é produção geral na indústria musical?
Quando muita gente pensa em produção, imagina apenas beat, estúdio ou gravação. Mas a produção geral dentro da indústria musical é muito mais ampla. Ela envolve organização, visão de projeto, relação direta com o artista, bastidor de show, logística, equipe, agenda, comunicação, operação e leitura do mercado.
É o tipo de função que exige cabeça fria, visão estratégica e entendimento real da cena. Um grande espetáculo não nasce apenas de talento. Ele depende de gente capaz de transformar ideia em execução, conceito em entrega e carreira em movimento.
Essa é a parte que quase nunca aparece para o público. O show começa muito antes do artista subir no palco e continua muito depois que ele sai. Existe um processo inteiro por trás de cada apresentação, cada lançamento, cada decisão e cada passo público de uma carreira.
Quatro encontros para entender o que acontece no backstage
A mentoria será dividida em quatro encontros, com foco em mostrar como funciona a produção geral e o backstage dentro da indústria musical. A proposta é sair da teoria vazia e entrar na prática de quem vive esse ambiente de verdade.
O primeiro encontro será voltado para trajetória e fundamentos da produção artística, mostrando como se constrói uma visão profissional dentro da música e quais bases sustentam o trabalho de quem atua nos bastidores.
O segundo encontro entra em um ponto essencial: o mercado do backstage, passando pela diferença entre underground e mainstream. Essa leitura é importante porque cada ambiente exige postura, operação e estratégia diferentes. O que funciona em uma cena independente nem sempre funciona da mesma forma em uma estrutura maior, e entender essa transição pode mudar a carreira de quem quer trabalhar no setor.
O terceiro encontro aborda ferramentas de gestão e organização de produção. Esse é um dos pontos mais importantes para quem quer sair do improviso. Produzir bem não é apenas resolver problemas na hora. É antecipar problemas, organizar processos e fazer com que artista, equipe e entrega caminhem na mesma direção.
O quarto encontro será focado em assessoria particular e relação direta com o artista, uma das áreas mais sensíveis da produção. Trabalhar perto de um artista exige confiança, leitura humana, discrição, comunicação, responsabilidade e capacidade de entender tanto o lado profissional quanto o lado pessoal de uma carreira.
Também é uma oportunidade para produtores iniciantes, assistentes de produção, empresários, artistas independentes, managers, criadores de conteúdo, profissionais de eventos e pessoas que querem entrar no mercado musical com mais clareza sobre o que realmente acontece fora do palco.
Em uma era em que todo mundo vê o resultado final nas redes, entender o processo virou diferencial. O público vê o show, o clipe, a entrada triunfal, o backstage editado, o corte viral e a foto no camarim. Mas quem trabalha de verdade na indústria sabe que a parte mais importante acontece no que não aparece.
Aprender com quem vive o bastidor de artista grande
O principal valor da mentoria está no acesso à vivência de Thiago Tico. Não se trata de uma aula genérica sobre mercado musical, nem de um conteúdo distante da realidade brasileira. A proposta é aprender com alguém que acompanha de perto a operação de um dos maiores nomes do rap nacional da atualidade.
Esse tipo de experiência importa porque a indústria não funciona apenas com fórmulas. Cada artista tem uma dinâmica, cada show tem uma necessidade, cada equipe tem uma pressão e cada fase de carreira exige um tipo de decisão.
Nos bastidores, o erro costuma custar caro. Um atraso, uma comunicação mal feita, uma equipe desalinhada, uma produção mal organizada ou uma leitura errada do momento pode comprometer a entrega inteira. Por isso, entender produção geral é entender responsabilidade.
Para quem quer trabalhar com música, essa é uma daquelas áreas que separa curiosidade de profissão. Gostar de artista, frequentar show ou acompanhar lançamento não é a mesma coisa que saber operar bastidor. A mentoria entra exatamente nesse espaço entre desejo e prática.
O palco é só a consequência
O material da mentoria resume bem a proposta: são quatro encontros para mostrar que o palco é apenas o resultado. Antes dele, existe uma engrenagem silenciosa formada por planejamento, alinhamento, execução e tomada de decisão.
Essa frase é importante porque desmonta uma ilusão comum sobre a indústria musical. O espetáculo principal não acontece sozinho. Ele é sustentado por gente que organiza o caos, protege a visão do artista e garante que tudo chegue ao público da melhor forma possível.
Na prática, a produção geral é uma das áreas que mais exige visão ampla. O profissional precisa entender artista, público, equipe, técnica, agenda, estrutura, bastidor, comunicação e mercado. É uma função que mistura organização, sensibilidade e pressão.
Vagas limitadas e inscrições abertas
A Mentoria Thiago Tico Produção Geral está com inscrições abertas e terá vagas limitadas. Os interessados podem entrar em contato diretamente pelo e-mail oficial da iniciativa.
Para quem quer entrar na indústria da música entendendo o que acontece além do palco, essa mentoria oferece uma visão rara sobre um dos pontos mais importantes de qualquer carreira artística: o bastidor.
No fim, todo mundo vê o artista no centro da cena. Mas quem quer trabalhar com música precisa aprender a enxergar o que acontece ao redor dele.
Kehlani não compra a tese de que o R&B morreu. Em conversa com Leon Thomas publicada pela Billboard em 20 de agosto de 2026, a artista tratou o gênero como um campo em transformação, não como uma cena em desaparecimento.
A discussão aparece num momento em que o R&B vive uma contradição curiosa: seus elementos estão por toda parte, do rap melódico ao pop alternativo, mas parte da indústria ainda mede sua força pelos critérios de outra época. Kehlani empurra a conversa para outro lugar: talvez o problema não seja falta de música, e sim falta de escuta.
Esse debate importa para a Rap Growing porque o R&B sempre conversou com o rap. Hooks, timbres, melodias, sensualidade, dor, festa e espiritualidade circulam entre os dois campos há décadas. Quando alguém decreta a morte do gênero, muitas vezes está ignorando como a música negra muda de forma para sobreviver.
O R&B não sumiu, mudou de endereço
A ideia de que o R&B perdeu espaço costuma aparecer quando os grandes centros de mídia não conseguem organizar a nova cena. Hoje, artistas independentes lançam semanalmente, circulam por playlists, vídeos curtos, comunidades de fãs e palcos menores antes de chegar aos grandes prêmios.
Kehlani faz parte de uma geração que cresceu dentro dessa transição. Ela entende a lógica das plataformas, mas também carrega uma formação ligada a performance, voz e presença. Por isso, sua defesa do R&B não soa nostálgica. Ela não pede que o gênero volte a ser o que era; ela pede que o público olhe para onde ele está agora.
Leon Thomas, que participa da conversa, também representa esse momento. Ele se move entre composição, produção, performance e repertório próprio, uma lógica que ajuda a explicar por que o R&B contemporâneo nem sempre cabe em uma leitura simples de cantor, hit e gravadora.
Entre rap, pop e música alternativa
Nos últimos anos, o R&B passou a dividir espaço com trap, afrobeat, drill melódico, pop alternativo e sons de bedroom music. Para alguns ouvintes, isso dilui o gênero. Para outros, prova justamente sua vitalidade. A música está viva porque contamina outras linguagens.
No Brasil, a conversa também faz sentido. O R&B nacional cresce misturado ao rap, ao funk, ao pagode, ao soul e à música eletrônica. Se a régua for “soar como os anos 1990”, muita coisa fica de fora. Se a régua for sensibilidade, composição, voz e atmosfera, a cena aparece muito maior.
O ponto central é que gênero musical não morre só porque deixa de ocupar a vitrine de sempre. Às vezes ele muda de rota, encontra outro público e retorna ao centro por caminhos menos óbvios.
Saúde, rotina e indústria
A People destacou outro trecho da mesma fase de entrevistas: Kehlani falou sobre rotina, saúde mental e a necessidade de manter práticas de cuidado em uma indústria que desorganiza horários, corpo e vida pessoal. Esse contexto ajuda a entender a artista, mas precisa ser tratado com cuidado.
Não se trata de transformar diagnóstico ou intimidade em espetáculo. O ponto editorial é outro: artistas de R&B e rap estão discutindo cada vez mais as condições materiais de criar, cantar, viajar, performar e continuar de pé. A música muda também porque a vida de quem faz música exige novas formas de proteção.
People — contexto sobre rotina, saúde e indústria.
Wikimedia Commons — referência da imagem de capa e licença CC BY 2.0.
Imagem de capa: Kehlani fotografada pelo The Come Up Show em Toronto. Arquivo disponível no Wikimedia Commons sob licença Creative Commons Attribution 2.0.
O Black Pantera chega a “Continental” sem pedir licença para caber em uma prateleira só. O álbum foi lançado nesta sexta-feira, 21 de agosto de 2026, pela Deck, com 13 faixas e pouco mais de 42 minutos de música, segundo a página oficial do disco no Spotify.
O trio formado por Charles Gama, Chaene da Gama e Rodrigo “Pancho” construiu a carreira justamente nesse ponto de tensão: rock pesado, hardcore, thrash, rap, música brasileira e denúncia social convivem sem precisar virar fórmula. “Continental” amplia essa conversa e coloca o Brasil como território sonoro, político e ancestral.
A Billboard Brasil já havia apontado que o título do disco dialoga com a ideia de um trabalho que fala sobre o país e atravessa diferentes estilos a partir do rock. Na prática, essa leitura ajuda a entender por que o Black Pantera segue sendo importante para além do circuito de guitarras.
Um disco pesado sem ser fechado
“Continental” não tenta suavizar o peso da banda. Ele organiza esse peso em várias direções. Há faixas que preservam a agressividade do hardcore, outras que se aproximam de estruturas mais melódicas e momentos em que o discurso político aparece como parte da música, não como adereço de divulgação.
As participações também ajudam a mostrar a largura do projeto. O Spotify lista Duquesa em “Serotonina”, Sandra Sá em “Quando Canto”, Derrick Green em “Obsoleto” e Chico César em “Banzo”. É uma combinação que não parece feita só para chamar atenção: ela conecta gerações e linguagens negras brasileiras e diaspóricas.
Esse encontro faz sentido porque o Black Pantera nunca tratou identidade como rótulo. A banda fala de raça, país, violência, memória, orgulho e sobrevivência usando volume, riff, groove e palavra. A música negra aqui não aparece como um gênero único, mas como um campo de disputa e invenção.
Do underground ao centro da conversa
O momento do lançamento também importa. Nos últimos anos, o Black Pantera se consolidou em festivais grandes, abriu shows internacionais, venceu prêmios e virou referência em discussões sobre música pesada feita no Brasil. O grupo cresceu sem abandonar o incômodo que move suas letras.
Por isso, “Continental” pode ser lido como um passo de expansão. Não é apenas o quinto álbum de uma banda em atividade. É uma obra que tenta colocar a experiência negra brasileira no centro de uma linguagem que, durante muito tempo, foi apresentada como se não tivesse corpo, cor ou território.
Quando rap e hardcore aparecem juntos no repertório do Black Pantera, não é porque a banda está “misturando tendência”. É porque as duas linguagens compartilham urgência, rua, confronto e a vontade de dizer o que muita gente preferia não ouvir.
O que observar em “Continental”
A primeira escuta pede atenção para a forma como o álbum distribui energia. O impacto não está só nas faixas mais rápidas ou pesadas, mas na maneira como as participações entram para abrir sentido e ampliar textura. “Continental” mira o corpo e a cabeça ao mesmo tempo.
Dentro da trajetória do trio, o disco confirma algo que já vinha amadurecendo: o Black Pantera é uma banda de rock, mas também é uma leitura do Brasil. E essa leitura fica mais forte quando não precisa separar guitarras, rap, ancestralidade e política em caixas diferentes.
Spotify — página oficial de “Continental”, faixas, duração e selo Deck.
Billboard Brasil — contexto do lançamento, trajetória recente e conceito do álbum.
Black Pantera — perfil oficial da banda e campanha do disco.
Imagem de capa: foto do Black Pantera publicada pela Billboard Brasil, creditada a Marcos Hermes. A referência da imagem está indicada também no campo de crédito.
The Game colocou uma das marcas mais pesadas da própria discografia de volta na rua. “The Documentary III” chegou às plataformas nesta sexta-feira, 21 de agosto de 2026, depois de um anúncio feito poucas horas antes pelo rapper de Compton.
A página oficial do álbum na Apple Music confirma um projeto longo: são 24 faixas, com 1 hora e 23 minutos de duração, lançado pela Numinati/FTS Global Management. Não é uma volta pequena. É The Game tentando reabrir a conversa em torno da saga que o apresentou ao mainstream em 2005.
O peso do título explica a expectativa. “The Documentary” não foi apenas um álbum de estreia bem-sucedido. Foi uma peça central para recolocar a Costa Oeste no debate comercial dos anos 2000, com The Game orbitando Dr. Dre, 50 Cent, G-Unit e a estética de Los Angeles que dominou uma geração de ouvintes.
Uma continuação que carrega legado e cobrança
O problema de retomar um nome desse tamanho é que a nostalgia ajuda, mas também cobra. “The Documentary III” precisa disputar atenção com a própria lembrança que os fãs têm do primeiro capítulo e com a sequência de 2015, quando The Game já tentou expandir essa mitologia em “The Documentary 2” e “The Documentary 2.5”.
A nova fase chega num momento em que o rapper voltou a circular em conversas grandes do rap americano, inclusive pela aproximação com Drake. A Complex destacou que a faixa “No Brakes”, com participação de Drake, apareceu antes do lançamento e empurrou o disco para dentro do debate recente envolvendo alianças, rivalidades e pertencimento na cena de Los Angeles.
Mas reduzir o álbum a essa leitura seria perder o ponto principal. The Game sempre trabalhou bem quando transforma memória pessoal, nomes citados e geografia em narrativa. O que está em jogo agora é saber se ele consegue fazer isso sem parecer preso ao museu da própria carreira.
West Coast como memória viva
O título funciona porque “The Documentary” virou sinônimo de uma forma específica de contar a Costa Oeste: carros, bairros, conflitos, referências diretas e produção com ambição de clássico. Em 2026, essa linguagem precisa conversar com outro público, outras plataformas e outra velocidade de consumo.
Por isso, “The Documentary III” interessa mesmo para quem não acompanhou The Game em tempo real. O disco testa como um rapper de outra era pode reaparecer sem depender só do prestígio acumulado. Ele precisa provar que ainda tem recorte, presença e curadoria para organizar uma obra longa.
Com 24 faixas, o álbum também entra na discussão sobre excesso. Projetos grandes podem ampliar contexto, mas também diluem impacto quando a edição não acompanha a ambição. A primeira escuta pede atenção justamente para esse equilíbrio: o que soa necessário e o que existe apenas para sustentar a ideia de grande retorno.
O que acompanhar no álbum
A lista de participações e produtores ajuda a vender o lançamento, mas a pergunta principal é outra: The Game ainda consegue ser o centro de um álbum chamado “The Documentary”? Quando ele acerta, poucos rappers fazem autobiografia de rua com tanta consciência de espetáculo.
Se o disco funcionar, não será apenas por chamar Drake, recuperar a marca ou alimentar debates de internet. Será porque The Game encontrou uma forma de fazer o passado trabalhar a favor do presente. E esse é o verdadeiro teste de qualquer continuação lançada duas décadas depois.
Complex — contexto do anúncio, “No Brakes” e participação de Drake.
Imagem de capa: The Game e Drake em composição publicada pela Complex, com fotos creditadas a TWIST/Bauer-Griffin e Mark Blinch/Getty Images. Referência adicionada no crédito da imagem.
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