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Moda & Streetwear

BAW Racing, Carnan e Porto colocam o streetwear brasileiro na pista na semana do GP de Interlagos

Três coleções lançadas em duas semanas usam a estética do automobilismo, e a semana do GP de São Paulo explica o calendário escolhido pelas marcas.

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Modelos vestindo peças da coleção BAW Racing by Chevrolet Motorsports em cenário de pista de corrida

A coleção BAW Racing by Chevrolet Motorsports, a collab da Carnan com a Porto e a Motor Collection da própria Porto chegaram às lojas em menos de duas semanas, todas usando a estética do automobilismo. O acúmulo não é coincidência de calendário: o streetwear brasileiro está no meio da semana do Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1, que corre em Interlagos entre 6 e 8 de novembro.

A corrida é no domingo (8), às 14h, com 71 voltas previstas e sem prova sprint neste ano, segundo a programação publicada pela Exame. É a janela em que o automobilismo ocupa televisão aberta, timeline e conversa de bar no Brasil, e as marcas de roupa chegaram antes do primeiro treino.

O que é a coleção BAW Racing by Chevrolet Motorsports

A BAW Racing by Chevrolet Motorsports não é um lançamento isolado, e sim o segundo capítulo de uma linha que a BAW mantém com a montadora. A apresentação aconteceu em 28 de outubro, durante a gravação de um episódio especial no complexo do Podpah, com Igão e Mítico, pilotos e cerca de 50 convidados, conforme a Exame.

São nove peças. A jaqueta e a calça de sarja levam bordados e apliques próprios e, usadas juntas, remetem a um macacão de piloto. O resto do drop traz duas camisetas oversized unissex em algodão premium, duas baby looks em tecido leve, uma camiseta unissex, um boné e uma tote bag, com preços de R$ 109 a R$ 499, segundo o Geek Publicitário.

A venda é pelo site da BAW e por lojas pop-up itinerantes nas etapas de Stock Car e NASCAR Brasil. A Exame citou passagens por Chapecó, Porto Alegre, Brasília e São Paulo; o Auto Segredos registrou a etapa da NASCAR em Brasília em 28 e 29 de novembro e a do Stock Car em São Paulo em 12 e 13 de dezembro.

Moda é um dos termômetros mais honestos de relevância.

Gustavo Aguiar, CMO da General Motors América do Sul, à Exame

Aguiar descreveu três frentes na estratégia: alcançar quem não acompanha lançamento de carro, falar com jovens que seguem streetwear, podcast e cultura urbana, e transformar o histórico da Chevrolet no automobilismo em ativo de engajamento. Lucas Karra, cofundador da BAW, disse ao Geek Publicitário que “o momento para essa collab foi ideal” e comparou o resultado a “quase uma viagem no tempo”.

Carnan e Porto chegam na semana do GP de São Paulo

No dia 5 de novembro, véspera do primeiro dia em Interlagos, a Porto anunciou duas frentes de uma vez. A collab com a Carnan tem jaqueta, camisa, camisetas e bonés, com referências de corrida reinterpretadas na linguagem urbana da marca, que neste ano já havia estreado nas passarelas com um desfile inspirado em Oscar Niemeyer.

Em paralelo, a Porto lançou a Motor Collection, linha própria com roupas adultas e infantis e acessórios, construída sobre referências da estética de corrida e da história de Interlagos, com lançamentos sazonais previstos. A venda das duas linhas é pela Loja Porto, com entrega em todo o país, segundo a Revista Business.

O automobilismo faz parte da história da Porto, mas essa paixão vai muito além das pistas.

Mariana Conti, gerente de marketing da Porto, à Revista Business

A frase tem lastro. A Porto, marca do grupo Porto Seguro, patrocina Gabriel Bortoleto na Fórmula 1 e renovou o acordo com o piloto por mais três anos, segundo o blog oficial da empresa, e também aparece como patrocinadora da Porsche Cup, que corre em Interlagos. A roupa é a ponta mais barata de um investimento que já existia.

Por que marcas de carro procuram o streetwear brasileiro

O movimento resolve um problema de audiência. Montadora e seguradora falam com quem já compra carro ou apólice; marca de rua fala com quem tem 18 anos e assiste a corrida por recorte no celular. Vestir essa pessoa custa menos do que convencê-la a entrar numa concessionária, e o retorno aparece em imagem antes de aparecer em venda.

Do outro lado, a marca de streetwear ganha um arquivo que ela não tem. Logotipo de montadora, grafismo de patrocinador, tipografia de macacão e paleta de equipe são repertório pronto, com décadas de uso e reconhecimento imediato. É a mesma lógica que já apareceu quando a BAW cruzou Bob Marley com futebol de rua na One Love FootBAW Club, só que agora o licenciador é industrial.

Vale registrar o que esse tipo de collab não é. Nenhuma das três coleções nasceu de uma cena de automobilismo de rua, de pilotos amadores ou de oficinas de periferia. Elas nascem de departamento de marketing, com verba de patrocínio esportivo e cronograma amarrado a etapa de campeonato. É marketing competente, não movimento cultural espontâneo, e tratar as duas coisas como sinônimo empobrece a leitura.

O arquivo da marca como matéria-prima

A onda não começou agora. Em agosto, a Approve lançou com a Texaco uma coleção de nove peças unissex que trouxe grafismos de campanhas históricas da petroleira para jaquetas com tecido utilitário e fivelas metálicas, vendida no e-commerce e nas lojas físicas da marca. A Rap Growing tratou o caso em Approve e Texaco transformam cultura da estrada em coleção de streetwear.

O que mudou de agosto para novembro é a escala e o ritmo. Antes era uma marca de roupa garimpando um arquivo esquecido; agora são montadora e seguradora chegando com pop-up em etapa de campeonato, episódio de podcast e linha infantil. Quando o licenciador entra com cronograma próprio, a collab deixa de ser achado e passa a ser canal.

Esse amadurecimento também explica por que a estética de corrida conviveu nesta semana com outras camadas da moda de rua brasileira, como a coleção em que o Podpah Funkbol Clube e a SOMD.R, de MC Hariel, vestiram o Dino. São públicos próximos e calendários que se cruzam, com o mesmo complexo do Podpah aparecendo nas duas histórias.

O que ainda não está respondido

Nenhuma das três marcas divulgou tamanho de produção, meta de faturamento ou duração dos contratos de licenciamento. Também não há informação pública sobre quantas peças cada pop-up leva, nem se a Motor Collection da Porto terá collab nova a cada temporada ou apenas reposição.

O teste real vem depois do fim de semana em Interlagos. Coleção amarrada a um evento mede resultado pela sobrevida: se a jaqueta de piloto continuar na rua em janeiro, a aposta funcionou. Se virar saldão em dezembro, foi apenas uma camiseta de corrida com data de validade.

Fontes e créditos

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