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Música

Gutierrez transforma um pesadelo com a própria morte em “Se Eu For Embora”, produzido por Damien Seth

O rapper carioca conta em verso um sonho em que morre, caminha por uma rua escura e sobe até uma luz no alto de uma montanha, onde reencontra quem já se foi.

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Close do rapper carioca Gutierrez em cena do clipe do single Se Eu For Embora

“Se Eu For Embora”, novo single do rapper carioca Gutierrez, nasceu de um pesadelo em que ele morre. A faixa tem produção, mixagem e masterização de Damien Seth, e o clipe, dirigido por Marcelo Costa Braga, chegou ao canal do artista em 28 de outubro.

Não é figura de linguagem nem metáfora de carreira. O artista escreveu a letra e o roteiro do clipe a partir de um sonho que teve, e a música acompanha esse sonho do começo ao fim, cena por cena, até o despertar.

O que acontece dentro de “Se Eu For Embora”

O primeiro verso começa numa rua escura e silenciosa, debaixo de chuva. Ele caminha sem saber como foi parar ali. Nos muros em volta estão escritos todos os seus erros, um a um, como se a vida inteira coubesse na lista do que ele fez de errado.

Vultos aparecem e tentam levá-lo. Ele escapa, corre, e enxerga ao longe uma luz no topo de uma montanha. Decide subir. Lá em cima encontra um lugar claro e tranquilo, com nuvens, e reencontra várias pessoas que já morreram. É quando entende o que está acontecendo, e acorda assustado e aliviado ao mesmo tempo.

O segundo verso é o depois do susto. Ele pensa em como seria se a morte fosse real: o que já construiu em vida, como protegeria quem ama, e a vontade de voltar.

Os nomes que a letra chama

A letra é povoada de gente real e de uma referência de cinema. Os vultos da rua escura remetem a Willie Lopez, o personagem de “Ghost” levado por sombras depois de morrer. Entre os mortos que ele reencontra estão Sabotage e Speed, e também Cassiano, lenda do soul brasileiro que, segundo o próprio Gutierrez, foi seu vizinho. Completam a lista familiares, amigos e animais de estimação.

No clipe, além de Gutierrez, aparecem Liz Nunes e o dublê Santo Berto.

Vinte e seis anos de rap carioca

Gutierrez é do Flamengo, na zona sul do Rio, e está no rap desde 2000. Começou a escrever aos 13 anos, em ritmos variados, e virou rapper depois de ouvir “Usuário”, do Planet Hemp, e “Raio X Brasil”, dos Racionais MC’s. No mesmo ano de 2000 fundou o grupo SAR, Soldados Armados de Raciocínio, com o DJ Tamenpi. O grupo durou até 2003.

O disco de estreia, “Esse é Meu Reino”, saiu em 31 de outubro de 2004. Ele escreveu cerca de 30 músicas, escolheu 12, e assinou composição, produção e gravação de todas. O álbum circulou em Portugal, Moçambique, Cabo Verde e Angola. Em entrevista ao Oganpazan, resumiu o peso daquilo: Minha vida é dividida entre antes e depois desse disco.

Em 15 de fevereiro de 2009, abriu o show de Ja Rule e Fat Joe na Arena Curva do S, na Rocinha. No mesmo ano lançou a mixtape “Corpo Fechado”, feita com Damien Seth pela Bolacha Discos, com 20 faixas e cerca de 2 mil cópias vendidas de forma independente. Em 2014 assinou com a #VVAR, selo de MC Marechal.

Depois vieram o EP “Selvagem” (2016), o EP “Predestinado” (2019) e o álbum “Armas & Rosas” (2023), com 14 faixas e MV Bill em “Tempos de Guerra”. Pelo caminho gravou com Rashid, Filipe Ret, Orochi, Msário, Sant e Yas Werneck, entre outros.

Damien Seth, o parceiro de quase tudo

Damien Seth produz Gutierrez desde pelo menos 2008. É o mesmo produtor por trás de “A Ordem Natural das Coisas”, de Emicida com MC Tha. Em “Se Eu For Embora”, assina produção, mixagem e masterização, o pacote inteiro.

A parceria explica o som da faixa. Não é um single pensado para algoritmo. É um rapper de duas décadas e meia de estrada contando uma história do começo ao fim, com o produtor que conhece a voz dele melhor que ninguém.

Leia também na Rap Growing: Espraiada Festival reúne Família Sabotage, Kyan e Consciência Humana em tributo gratuito no Jabaquara e A CUFA criou o prêmio Hutúz antes de criar a Taça das Favelas.

Foto: Reprodução do clipe “Se Eu For Embora”, canal do artista.

Fontes e créditos

  • Carreira, discografia, datas, abertura para Ja Rule e Fat Joe, ficha técnica do clipe e elenco: Portal do Hip Hop.
  • Início de carreira, influências e a fala sobre “Esse é Meu Reino”: entrevista ao Oganpazan.
  • Enredo da letra, referências a Willie Lopez, Sabotage, Speed e Cassiano, e descrição do sonho: material de divulgação do artista.
  • Foto de capa: reprodução de cena do clipe “Se Eu For Embora”, publicado no canal do artista.

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