Na terça-feira (3), Major RD explicou por que escreveu, em “SÓ ROCK 2”, que queria ser cantor de rock e não conseguiu. A frase que ficou foi direta: o Rock se fechou pra favelado
. Na mesma semana, o Open Mic Brasil soltou a nona edição, com Tavin cantando “Se em Troca Eu Tiver Você”, e a resposta do público passou do que a própria produção esperava.
As duas coisas não têm ligação combinada. Mas colocadas lado a lado, uma explica a outra. O que o Major RD descreveu como porta fechada é exatamente o problema que a CMK Beats, de Tiankris, resolveu atacar quando criou o projeto.
O que o Major RD disse
A fala veio no programa Charla na Mix. Ele explicava um verso de “SÓ ROCK 2”, faixa de 2022 com Young Ganni e Xamã, e foi específico sobre o mecanismo: quem já está dentro da cena do rock não abre a porta para quem vem da favela, e o acesso ao estúdio depende de estar encaminhado por alguém, um empresário, uma relação prévia.
Depois veio a parte prática. Para cantar rock, segundo ele, é preciso de um bonde inteiro e de instrumentos caríssimos. Não é só gosto musical nem vontade. É condição financeira e acesso, nas palavras dele.
A banda mineira Black Pantera respondeu nos comentários concordando: fazer rock vindo da periferia é difícil, e eles mesmos se formaram porque ninguém na região deles estava fazendo aquilo.
O Open Mic Brasil nasceu para resolver isso
O projeto é da CMK Beats, com direção criativa de Tiankris, e tem parceria da Rap Growing. O formato é simples de descrever e caro de montar: o rapper canta ao vivo, com banda de guitarra, baixo e bateria, em estrutura de estúdio. Se errar, segue. A performance vai no ar como aconteceu.
É precisamente o bonde e o instrumento caro que o Major RD apontou como barreira, montados e entregues de graça ao MC. A banda não é fundo musical: os músicos reagem ao que o rapper faz e mudam a dinâmica da música em tempo real.
Em menos de um ano, o projeto passou de 7 milhões de execuções. A oitava edição, com Neo BXD, saiu em setembro.
A edição do Tavin no Open Mic Brasil
O Open Mic Brasil #9 saiu no canal da CMK Beats com Tavin cantando “Se em Troca Eu Tiver Você”. Ele entrou nesse arranjo de banda ao vivo e a repercussão superou a expectativa da produção. É o tipo de resultado que o projeto vinha perseguindo desde que decidiu dar a cada episódio uma identidade própria, em vez de repetir a mesma fórmula com rostos diferentes.
Vale o registro de transparência: a Rap Growing é parceira do Open Mic Brasil. Os números de audiência da edição do Tavin não foram divulgados até a publicação deste texto, e por isso não aparecem aqui.
Por que isso importa além do episódio
A conversa sobre rap e rock no Brasil costuma parar na estética: se a guitarra combina com a batida, se o rapper sabe cantar em cima de banda. O Major RD moveu a conversa para onde ela realmente acontece, que é o custo e a porta de entrada.
Um projeto que banca a estrutura de rock e entrega a um rapper não está fazendo curadoria de gosto. Está removendo uma barreira econômica. É pouco glamouroso dito assim, e é exatamente por isso que funciona.
Leia também na Rap Growing: Tiankris: quem é o produtor da CMK Beats que comanda o Open Mic Brasil e Open Mic Brasil chega à 8ª edição com Neo BXD e mira um novo salto de audiência.
Foto: Reprodução do Open Mic Brasil #9, canal da CMK Beats no YouTube.
Fontes e créditos
- Falas de Major RD no Charla na Mix, contexto de “SÓ ROCK 2” e reação da Black Pantera: Tenho Mais Discos Que Amigos, 3 de novembro de 2026.
- Criação, formato, direção criativa, parceria e a marca de 7 milhões de execuções do Open Mic Brasil: Canal RapRJ, 2 de setembro de 2026.
- Número da edição, nome do artista e título da faixa: Open Mic Brasil #9, no canal da CMK Beats.
- Repercussão acima do esperado: informação da produção do projeto. Números de audiência não divulgados até o fechamento deste texto.
- Foto: reprodução do Open Mic Brasil #9, canal da CMK Beats no YouTube.