Música

D’Lamotta: como o rap gaúcho parou de pedir licença e passou a ocupar espaço

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Por Rap Growing • Atualizado em 21/12/2025

Durante muito tempo, o rap do Sul viveu num lugar injusto: existia, crescia, formava geração, mas era tratado como “cena paralela”. Enquanto o eixo concentrava holofotes, Porto Alegre e o RS seguiam na raça — rua, banca, frio, corre. E é exatamente nesse cenário que o D’Lamotta aparece como mais do que um grupo: vira bandeira de território.

Quem é o D’Lamotta e por que o nome pesa no Sul

O D’Lamotta se consolidou como um dos nomes mais lembrados quando o assunto é rap gaúcho. Não só por música, mas por postura: identidade local, estética forte e uma linguagem que não tenta “neutralizar” o Sul pra caber em lugar nenhum.

Aqui, Porto Alegre não entra como cenário genérico. Entra como personagem. E isso muda tudo, porque quem cresceu ouvindo rap do Brasil inteiro sabe o quanto é raro se reconhecer em detalhes do próprio chão: o jeito de falar, os cantos, a banca, a vivência. O D’Lamotta ajudou a dar nome, cara e som pra isso.

O Sul sempre rimou — o que mudou foi a forma de ser ouvido

Quando a gente fala em “impacto”, não é só sobre números. É sobre autoestima de cena. A partir do momento que um grupo impõe uma identidade própria e faz isso virar referência, ele abre caminho pra uma geração inteira se sentir autorizada a criar sem pedir bênção.

  • Identidade territorial: o RS aparece com cara própria, sem cópia.
  • Estética e linguagem: peso, ironia, rua e personalidade.
  • Vitrine pra cena: quando um nome estoura na bolha local, ele puxa o foco junto.

Audiovisual como arma: quando a imagem também vira manifesto

Uma das coisas que mais marcou a lembrança do D’Lamotta foi a forma como o grupo tratou o audiovisual como parte do discurso. Clipe não era só “registrar música”. Era construir estética, narrativa, clima. Isso ajudou a aumentar o padrão de referência dentro do rap gaúcho: mais gente passou a investir em conceito, direção, fotografia, identidade.

História e fases: do corre inicial ao projeto mais ambicioso

Como todo grupo de rua que vira referência, o D’Lamotta teve fases: momentos mais crus, momentos de salto criativo e projetos que ampliaram o alcance. O que se mantém é o núcleo: verdade de território e uma estética que conversa com a rua do Sul.

Linha do tempo (resumo)

  • 2014–2015: fase de afirmação, sons e clipes que ajudam a carimbar o nome na cena local.
  • 2017: projeto maior e mais ambicioso (álbum longo, narrativa, referências e participações).
  • 2018 em diante: conexões com outras crews e presença em cyphers/colabs, reforçando alcance.

Nota RG: a formação do grupo aparece com variações conforme a fase e os registros disponíveis, algo comum na cena (coletivo/crew com rotações e participações).

5 músicas pra entender o D’Lamotta (porta de entrada)

Se tu nunca parou pra ouvir com calma, começa por essas. Não é “lista definitiva”, é porta de entrada pra sentir a identidade do grupo e entender por que o Sul abraçou.

  1. Love Smoke Day — um dos sons que ajudaram a colocar o nome na rua.
  2. Os Filho da Puta — faixa/clipe que marcou fase e estética.
  3. Love Smoke Day pt.2 — reforça a evolução de produção e proposta.
  4. Lombra Gang — energia de crew, identidade e presença.
  5. Lombra Gang Cypher — conexão com outras bancas e expansão do alcance.

Impacto social no Sul: quando um grupo vira espelho

O D’Lamotta impacta porque representa. Pra muita gente do Sul, foi uma das primeiras vezes em que a estética, o vocabulário e o clima da própria região apareciam com força no rap, sem precisar “se traduzir” pra parecer de outro lugar.

Esse tipo de representação tem efeito real: fortalece identidade periférica, cria referência cultural local, dá coragem pra molecada lançar som, formar grupo, filmar clipe, ocupar evento. E quando uma cena ganha coragem, ela ganha movimento.

O Sul sempre rimou. O que faltava era uma vitrine com cara de verdade local — e o D’Lamotta ajudou a acender essa luz.

Legado: o que o D’Lamotta deixou pra cena gaúcha

O legado do D’Lamotta não é só um catálogo de músicas. É um marco: a ideia de que o rap do Sul pode ser centro, e não “nota de rodapé”. Pode ter estética própria, sotaque próprio, narrativa própria. Pode ser gigante sem pedir licença.

  • Afirmação territorial: Porto Alegre/RS como identidade, não como detalhe.
  • Referência estética: clima e imagem como parte do discurso.
  • Autoestima de cena: influência direta na confiança de novos artistas do Sul.

Leitura recomendada na Rap Growing

Se tu curte história e identidade de cena, vale continuar por aqui:

Guia: geração de grupos 2000–2015 e o impacto no rap brasileiro

RAP GROWING — CULTURA EM MOVIMENTO

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