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Romero Ferro encerra trilogia com Luiz Lins e Àttooxxá em “Ouro”

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divulgação via Folha de S.Paulo/UOL

Romero Ferro lança “Ouro” em 27 de agosto de 2026 e fecha uma trilogia iniciada com “Arsênico”, em 2016, e continuada por “Ferro”, em 2019. Segundo a Folha de S.Paulo, o novo álbum costura baião, brega, brega funk, MPB, pop, rock, música eletrônica e ritmos do agreste. No meio dessa mistura, aparecem nomes como Luiz Lins e Àttooxxá, reforçando a ponte entre Nordeste, pista e música urbana.

O interesse de “Ouro” está justamente em não tratar brasilidade como peça de museu. Romero Ferro trabalha com tradição, mas puxa essa tradição para o atrito do presente. O disco parece menos preocupado em soar “regional” no sentido folclórico e mais interessado em fazer o regional bater de frente com club, pop e rua.

O brilho depois do veneno e do metal

A trilogia tem um desenho simbólico forte. Primeiro, “Arsênico”: veneno, corte, toxicidade. Depois, “Ferro”: resistência, matéria bruta, estrutura. Agora, “Ouro”: valor, brilho, permanência. Essa passagem ajuda a ler Romero Ferro como um artista que organiza seus discos não apenas por sonoridade, mas por conceito.

A presença de Luiz Lins aproxima o álbum de uma sensibilidade urbana que conversa com R&B, rap e canção brasileira. Já Àttooxxá carrega uma assinatura ligada à percussão eletrônica, ao carnaval de rua e à mutação do pagodão. Com esses encontros, “Ouro” tende a funcionar como uma zona de contato: Pernambuco, Bahia, pop alternativo e música preta brasileira atravessando o mesmo corpo.

Forró, brega e futuro

A Folha também destaca que o álbum inclui uma releitura de “O Tempo Não Para”, de Cazuza, em chave de forró e piseiro, além de uma faixa construída com sample de Dominguinhos. O gesto é interessante porque reposiciona referências conhecidas dentro de uma lógica mais dançante, nordestina e contemporânea. Não é reverência passiva. É reprocessamento.

Esse tipo de abordagem conversa com um momento amplo da música brasileira, em que artistas voltam a disputar o sentido da tradição. O passado não aparece como peso, mas como banco de dados emocional e rítmico. “Ouro” entra nessa conversa com ambição pop e corpo de pista.

Para a Rap Growing, o ponto é claro: quando Romero Ferro chama Luiz Lins e Àttooxxá para encerrar uma trilogia, ele não está apenas ampliando ficha técnica. Está afirmando que a música brasileira contemporânea é mais interessante quando aceita seus choques: agreste e eletrônico, brega e pop, rap e canção, festa e elaboração.

Fontes consultadas

Crédito da capa: divulgação via Folha de S.Paulo/UOL.

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