O show do Black Eyed Peas no Rock in Rio 2026 teve uma participação brasileira que ajuda a explicar a fase atual do grupo.
Papatinho subiu ao Palco Mundo no domingo, 6 de setembro, e levou funk, rap e uma colaboração inédita para dentro da apresentação.
De acordo com a Folha de S.Paulo, o produtor brasileiro participou do show, apresentou uma nova música com o grupo e ajudou a conectar a performance a referências brasileiras.
O gshow registrou que Papatinho apresentou um mashup de “Eu só quero é ser feliz” e “Rap das Armas”, além da faixa “WE LIVE UP IN HERE”, gravada em Los Angeles especialmente para o festival.
A participação faz sentido dentro da trajetória do produtor. Papatinho construiu carreira aproximando rap brasileiro, funk, pop e colaborações internacionais sem tratar esses caminhos como mundos separados, em uma cena na qual festivais como o Mad in Brazza também mostram a força da música urbana brasileira.
Dividir o Palco Mundo com um grupo do tamanho do Black Eyed Peas reforça essa posição. Ele não apareceu apenas como convidado local para cumprir protocolo. Entrou como alguém capaz de traduzir uma ponte entre o Brasil e um dos grupos mais populares do pop-rap global.
O show também trouxe a dimensão nostálgica do Black Eyed Peas, com hits que atravessaram gerações, como “Pump It”, “Boom Boom Pow” e “I Gotta Feeling”, em um período no qual a música disputa menos espaço na televisão e depende mais de grandes momentos de circulação digital.
Mas a presença de Papatinho impediu que a apresentação fosse apenas uma viagem ao passado. O Brasil entrou no show como colaboração, não só como plateia.
Esse movimento conversa com algo que Will.i.am vem sinalizando: a vontade de aproximar ainda mais o grupo da música brasileira e de projetos ligados ao país. A Folha também registrou que o artista falou sobre desejo de um projeto relacionado ao Carnaval do Rio, embora isso ainda deva ser tratado como intenção, não como confirmação.
Para o público do Rap Growing, a história mais interessante está nesse encontro de linguagens. Funk, rap, pop, festival, cultura digital e produção musical brasileira aparecem juntos em um palco de alcance mundial, no mesmo ecossistema em que o rap também atravessa universos como GTA VI.
O Black Eyed Peas olhou para o Brasil. Papatinho aproveitou a chance para mostrar que essa conexão pode ser maior do que uma participação especial.