O anúncio chama atenção por um motivo simples: transformar esses jogos em cinema será um desafio completamente diferente das adaptações que Hollywood aprendeu a fazer nos últimos anos. Sonic, Mario e The Last of Us já possuíam personagens, universos e histórias reconhecíveis. Pong, por outro lado, é formado basicamente por duas barras e uma bola atravessando a tela.
Dez clássicos estão envolvidos no acordo
Segundo a Deadline, o pacote reúne Asteroids, Adventure, Berzerk, Breakout, Centipede, Crystal Castles, Millipede, Missile Command, Pong e Yars’ Revenge. A negociação não significa que dez filmes já estejam oficialmente em produção, mas entrega à Universal os direitos para desenvolver projetos baseados nessas marcas.
Um primeiro roteiro já está sendo trabalhado por Matt Reilly e Carl Hampe. O estúdio ainda não revelou qual propriedade abrirá a sequência de adaptações nem apresentou elenco, diretor ou previsão de lançamento.
Como transformar Pong em uma história?
É justamente nessa ausência de enredo que aparece a parte mais curiosa do projeto. Lançado comercialmente em 1972, Pong ajudou a popularizar os videogames sem precisar de protagonista, diálogo ou mundo ficcional. O jogador só precisava rebater um ponto luminoso de um lado para o outro.
A Universal poderá criar uma história completamente nova ao redor da marca, transformar o desenvolvimento do jogo em uma narrativa histórica ou usar os diferentes títulos como partes de um mesmo universo. Por enquanto, qualquer direção além do acordo e da equipe inicial de roteiro seria apenas especulação.
A nostalgia virou uma das maiores moedas do entretenimento
A movimentação acontece em um momento em que os estúdios procuram propriedades conhecidas pelo público antes mesmo de existir um trailer. O sucesso comercial de adaptações recentes mostrou que videogame deixou de ser tratado como material secundário pelo cinema. Agora, até marcas com mais de cinco décadas voltam a ser disputadas.
No caso da Atari, a força está menos em uma história pronta e mais na memória de quem acompanhou o começo dos consoles domésticos e dos fliperamas. São jogos ligados à formação da cultura gamer, ao design minimalista e a uma época em que poucos pixels eram suficientes para criar uma obsessão.
O risco de usar o nome e esquecer o jogo
O acordo também levanta uma dúvida legítima. Quanto de Pong continuará existindo depois que roteiristas adicionarem personagens, vilões e uma trama de longa-metragem? Existe uma linha fina entre expandir uma ideia e usar uma marca conhecida como embalagem para qualquer aventura genérica.
Até que o primeiro projeto seja revelado, a notícia funciona como retrato de uma indústria que aprendeu a monetizar a própria memória. A Atari ajudou a colocar videogames dentro de casa. Mais de cinquenta anos depois, Hollywood quer descobrir quanto dessa nostalgia ainda cabe em uma sala de cinema.