Eleições 2026

33,4 milhões se abstiveram: brancos e nulos poderiam ter decidido a eleição?

A abstenção chegou a 33,4 milhões e brancos mais nulos somaram quase 6 milhões. Entenda o que esses números significam juridicamente e politicamente.

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O número mais impressionante do primeiro turno não está apenas na diferença entre os dois candidatos que avançaram. Cerca de 33,4 milhões de eleitores aptos não compareceram às urnas, uma taxa próxima de 21%, a maior registrada em uma eleição presidencial desde 1998.

Além das abstenções, o TSE contabilizou 2.300.781 votos brancos e 3.674.149 votos nulos. Juntos, eles somaram quase 6 milhões, um número maior do que a diferença de aproximadamente 2,23 milhões de votos entre Flávio Bolsonaro e Lula.

Brancos e nulos poderiam ter mudado quem ficou na frente?

Matematicamente, se todos esses eleitores tivessem escolhido um candidato, o placar poderia ser diferente. Juridicamente, porém, a afirmação de que “brancos e nulos decidiram a eleição” é incorreta. A legislação brasileira exclui votos brancos e nulos do cálculo dos votos válidos, como explica o Tribunal Superior Eleitoral.

Esses votos não são transferidos para ninguém, não anulam o pleito e não entram no denominador usado para calcular a maioria absoluta. O que eles mostram é que uma parcela relevante de quem foi à urna preferiu não validar nenhuma candidatura presidencial.

A abstenção pode ser mais importante no segundo turno

A CNN Brasil registrou que São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro tiveram taxas de abstenção acima da média nacional, enquanto o Nordeste ficou abaixo dela, com 18,36%. O Ceará registrou 15,52%, uma das menores taxas do país.

Quem não votou no primeiro turno pode votar normalmente no segundo, desde que esteja em situação regular. Por isso, mobilizar parte dos 33,4 milhões de ausentes pode alterar o tamanho do eleitorado efetivamente participante em 25 de outubro. O dado é relevante para as duas campanhas, mas não permite concluir antecipadamente para qual lado esses eleitores tenderão.

Crédito da capa: José Cruz/Agência Brasil.

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