A rapper brasileira Afreekassia anunciou duas apresentações em Portugal para outubro de 2026, levando músicas do projeto Cacau 50% Vol. II. A primeira estava marcada para 4 de outubro, em Loulé. A apresentação estava anunciada para as 18h no Solar da Música Nova, em Loulé, dentro do Concerto de Outono’26, ampliando para a Europa a circulação de um projeto que já passou por palcos de São Paulo e festivais ligados à cultura negra e urbana.
A agenda também incluía uma segunda data portuguesa. Outra apresentação estava anunciada para 9 de outubro, quando Afreekassia subiria ao palco da Casa Capitão, em Lisboa, dentro da programação do MIL Festival & Convention, evento dedicado à descoberta de novos artistas e à conexão entre diferentes mercados musicais.
Rap, drill e ritmos da diáspora formam a identidade do projeto
Segundo a Bantumen, o show em Loulé apresenta uma sonoridade que cruza hip-hop clássico, drill londrino e ritmos ligados à diáspora africana. Faixas como “Sou + as negras” e “100% pura” fazem parte de um trabalho que coloca ancestralidade, autoestima e experiência da mulher negra no centro da narrativa.
Afreekassia começou sua trajetória artística em 2016 como DJ e depois expandiu a atuação para composição, canto e artes visuais. Essa formação ajuda a explicar por que a apresentação de Cacau 50% Vol. II não se limita ao repertório: a performance também trabalha imagem, presença de palco e identidade visual.
Em julho, o projeto ganhou sua primeira apresentação ao vivo em São Paulo depois de alcançar público relevante nas plataformas digitais. A circulação internacional amplia esse processo e conecta uma artista brasileira independente a uma rede de festivais e espaços culturais europeus.
A passagem por Portugal abre uma janela para novos públicos
A data em Loulé estava marcada cinco dias antes do MIL Festival, em Lisboa, que reúne artistas de vários países e funciona também como encontro profissional da indústria musical. Afreekassia integrava uma programação anunciada com outros nomes ligados a cenas urbanas e diásporas lusófonas.
A expansão para Portugal conversa com um movimento que a Rap Growing acompanha em artistas que usam circuitos de festivais para atravessar fronteiras sem abandonar uma identidade própria. A lógica também apareceu recentemente na cobertura de Sudan Archives e sua passagem pelo Balaclava Fest, em São Paulo, ainda que em direção geográfica inversa.
Para Afreekassia, a agenda anunciada para outubro representou mais uma etapa de internacionalização de um trabalho que continua diretamente ligado ao rap brasileiro e às referências afro-diaspóricas que estruturam sua obra.
Imagem de capa: vista de Loulé, Portugal, foto de Bextrel / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0). Registro da cidade, não da apresentação de Afreekassia. Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Vista_de_Loule_-_10.09.2020.jpg.