Gustavo Silvestre apresentou em 7 de outubro de 2026 seu primeiro desfile independente em São Paulo com a coleção “Original”. Na passarela montada na Formosa Hi-Fi, no Centro, o estilista cruzou crochê, jeans de upcycling, pedras brasileiras e referências às próprias raízes pernambucanas.
A coleção amplia um trabalho desenvolvido há 15 anos pela marca homônima e leva o crochê para registros que vão do streetwear ao vestido de festa. A ELLE Brasil acompanhou a apresentação e destacou o uso de denim reaproveitado, paetês desenvolvidos internamente, pérolas, flores feitas com resíduos de seda e couro de tilápia.
Original mistura trabalho manual, streetwear e materiais reaproveitados
Os primeiros looks colocam o artesanato em diálogo com jeans e peças de leitura urbana. Parte do denim vem do estoque reaproveitado ligado à colaboração de Silvestre com a C&A, em um processo que usa materiais que já estavam em circulação para construir novas peças. O styling de Dudu Bertholini reforça o contraste entre trabalho manual, lingerie aparente, volumes e códigos de streetwear.
O nome “Original” funciona como síntese da proposta. A coleção olha para técnicas ancestrais e para o próprio arquivo do estilista, incluindo ágatas que retomam acessórios produzidos por Gustavo no começo da década passada. Ao mesmo tempo, o desfile transforma esses elementos em uma linguagem contemporânea, com patchworks, transparências e sobreposição de texturas.
Esse movimento conversa com a expansão do design brasileiro para além de categorias fechadas. A Rap Growing mostrou recentemente como o streetwear brasileiro passou a operar como ecossistema cultural, aproximando moda, arte, música, sustentabilidade e colaborações de escala internacional.
Pernambuco aparece no fechamento e conecta memória à alta-costura
No bloco final, Silvestre recupera referências de Pernambuco em cores ácidas e volumes que remetem às cabeleiras do Caboclo de Lança do Maracatu Rural. A imagem já havia atravessado parte de sua experiência internacional, inclusive na colaboração com o estilista Kevin Germanier entre 2022 e 2025.
A coleção também reúne acessórios de Carlos Penna e trabalhos desenvolvidos com a artesã franco-brasileira Janaïna Milheiro, conhecida por técnicas com penas e plumas. O resultado mostra por que o crochê de Silvestre continua funcionando menos como assinatura repetida e mais como base para novas pesquisas de material, forma e identidade.
Crédito da capa: Marcelo Soubhia / @agfotosite / Divulgação.