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Eleições 2026

Lula recua em cidades mais dependentes do Bolsa Família, mostra levantamento

Levantamento mostra queda de 71,5% para 68,7% de Lula em municípios com alta dependência do Bolsa Família, sem estabelecer relação causal.

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Cartão do Bolsa Família na mão de beneficiário

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma queda de participação nos municípios em que o número de beneficiários do Bolsa Família equivale a pelo menos metade da população. Levantamento publicado pelo UOL nesta terça-feira, 6 de outubro, mostra que o petista passou de 71,5% dos votos nesse grupo de cidades em 2022 para 68,7% em 2026, enquanto Flávio Bolsonaro chegou a 27,3%.

O dado adiciona uma camada importante à leitura do primeiro turno, mas precisa ser tratado com cuidado. O próprio levantamento ressalta que o cruzamento não prova que receber Bolsa Família determina o voto. Ele apenas compara o desempenho eleitoral em municípios com diferentes níveis de dependência do programa, evitando transformar uma associação territorial em explicação causal.

O que mudou nas cidades mais dependentes do Bolsa Família

Segundo o levantamento do UOL, municípios de alta dependência são aqueles em que beneficiários correspondem a 50% ou mais da população. Esse grupo respondeu por 14,4% dos votos válidos de 2026. Nas cidades de baixa dependência, com menos de 25% da população atendida pelo programa, concentram-se 59,1% dos votos válidos.

O resultado também mostra a compressão do espaço dos demais candidatos. Nas cidades de alta dependência, candidaturas fora do eixo PT e Bolsonaro somavam 17% em 2018, caíram para 5,04% em 2022 e ficaram em 4% neste primeiro turno. É mais um sinal de que a polarização se aprofundou justamente em regiões onde renda, proteção social e custo de vida pesam de forma direta no cotidiano.

Reajuste do benefício entrou no debate eleitoral

O governo anunciou em setembro uma recomposição de 15,04% no Bolsa Família, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691 a partir da folha de outubro. O benefício médio estimado passou de R$ 675 para R$ 777. A atualização foi oficializada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

A leitura política do dado, portanto, não é a de que o programa perdeu importância, mas de que política social e preferência eleitoral não são sinônimos. O primeiro turno terminou com Flávio Bolsonaro em 47,03% dos votos válidos e Lula em 45,16%, cenário que levou os dois ao segundo turno de 25 de outubro. A Rap Growing já detalhou o que muda na disputa presidencial e também mostrou como o mapa eleitoral se dividiu pelo país.

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