O Festival Psica completou o line-up da edição de 2026, marcada para 11, 12 e 13 de dezembro em Belém. A programação reúne mais de 40 atrações e coloca lado a lado Zeca Pagodinho, Alceu Valença, Don L, Criolo, Marcelo D2, Gaby Amarantos, Ebony, NandaTsunami, Victor Xamã, aparelhagens e artistas de diferentes territórios amazônicos.
A nova leva anunciada em 30 de setembro amplia um festival que já havia confirmado nomes importantes do rap brasileiro. Segundo a Billboard Brasil, entram agora Zeca Pagodinho, Alceu Valença, Don L, Rachel Reis, Mateus Aleluia, Ratos de Porão, Mad Professor e uma extensa lista de encontros e projetos regionais.
O Norte não aparece como cenário, mas como centro da curadoria
O conceito “Nosso Tempo é o Norte” ajuda a entender a construção da programação. O Psica não organiza a Amazônia como uma ala específica dentro de um festival nacional. A lógica é inversa: o território funciona como ponto de partida e artistas de outras regiões entram nessa estrutura.
Isso explica a presença de aparelhagens, bois, carimbó, rap, samba, rock, música eletrônica e encontros que não cabem facilmente em uma única prateleira. O festival trabalha com a ideia de circulação entre linguagens sem diluir a identidade amazônica que orienta a edição.
No rap, a programação reúne Don L, Criolo, Marcelo D2, Ebony, NandaTsunami e Victor Xamã em momentos diferentes de carreira e linguagem. A Rap Growing já acompanhou Don L em outro contexto de território e cultura, quando o rapper participou do Festival Elemento em Movimento, em Ceilândia.
Psica usa escala nacional sem abandonar a base amazônica
A edição de 2025 reuniu 110 mil pessoas e o festival foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Belém. Em 2026, a expansão do line-up mostra uma tentativa de crescer sem transformar o Norte em decoração para artistas de fora.
O diretor e curador Jeft Dias afirmou à Billboard que o Psica se define como um festival amazônida, preto e periférico, com identidade ligada a cultura, direitos e políticas públicas. Essa declaração ajuda a contextualizar por que a programação coloca artistas nacionais conhecidos ao lado de nomes e formatos profundamente ligados ao Pará e à região.
O resultado é um festival que disputa atenção nacional sem abrir mão de um ponto de vista próprio. Em vez de simplesmente importar um modelo pronto de grande evento, o Psica organiza mais de 40 atrações a partir de Belém e transforma a Amazônia em referência de curadoria, circulação e futuro cultural.
Crédito da capa: @30ebr/@bmaisca via Billboard Brasil.