Música Preta Brasileira, álbum ao vivo de Sandra de Sá lançado originalmente em 2003, ganha sua primeira edição em vinil pela Universal Music Brasil. A nova versão chega em formato duplo e recoloca em circulação física um repertório que atravessa soul, funk, samba e diferentes momentos da carreira da cantora.
A edição reúne dois discos, apresentados nas cores vermelho e laranja. O projeto original foi produzido por Paul Ralphes e registrado no Universal Up, espaço que funcionava na antiga sede da gravadora na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Repertório reúne sucessos e encontros da música brasileira
O álbum passa por músicas como “Olhos Coloridos”, “Vale Tudo”, “Enredo do Meu Samba”, “Retratos e Canções” e “Bye, Bye Tristeza”. A gravação também preserva encontros importantes, entre eles Gabriel o Pensador em “Boralá (Criolo Brasileiro)”, Toni Garrido em “Não Vá” e as participações de Alcione e Luciana Mello em “Black Is Beautiful”.
A presença desses convidados ajuda a entender o projeto para além de uma simples coletânea ao vivo. Música Preta Brasileira registra conexões entre soul, funk, samba e rap em um momento em que Sandra de Sá organizava parte de sua própria trajetória a partir de referências negras brasileiras.
Essa ponte com o rap também aparece em outras movimentações recentes acompanhadas pela Rap Growing. Em agosto, Gabriel o Pensador e Mano Brown voltaram a aproximar repertórios históricos do gênero, mostrando como essas conexões seguem sendo reativadas por novas edições e colaborações.
Vinil transforma arquivo em produto de circulação atual
A Universal Music Brasil confirmou a edição em 2 de outubro de 2026. A novidade está no formato físico, e não em repertório inédito: é a primeira vez que o álbum chega ao vinil.
Esse detalhe muda o ângulo da notícia. Mais do que anunciar novamente um disco conhecido, a edição amplia o acesso material a um registro que documenta diferentes vertentes da música negra brasileira e coloca Sandra de Sá no centro de uma rede que passa por compositores, intérpretes e convidados de gerações distintas.
Num mercado dominado pelo streaming, reedições físicas também funcionam como ferramenta de preservação e redescoberta. O vinil duplo dá novo contexto a um trabalho que já tinha importância histórica e agora volta a circular em outro formato.
Crédito da capa: Divulgação/Universal Music Brasil.