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Tom Hardy larga o personagem e entrega rap pesado ao lado do Czarface

Ator assume o nome Frankie Pulitzer em álbum de 15 faixas com Inspectah Deck, Esoteric, 7L, Method Man, Busta Rhymes e EL-P.

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Tom Hardy lançou um álbum de rap, mas “Czarface Meets Frankie Pulitzer” está longe de ser uma brincadeira montada para aproveitar a fama de um ator. O projeto saiu em 28 de agosto com 15 faixas e 47 minutos, colocando Hardy dentro do universo pesado, empoeirado e cheio de referências criado pelo Czarface.

O ator aparece como Frankie Pulitzer ao lado do trio formado por Inspectah Deck, do Wu-Tang Clan, Esoteric e o produtor 7L. Method Man, Busta Rhymes e EL-P também participam do disco, o que coloca Hardy cercado por MCs acostumados a uma escrita técnica e por uma produção que não facilita a entrada de convidados ocasionais.

Tom Hardy já rimava antes de Hollywood

A relação do ator com o rap começou décadas antes deste álbum. Na adolescência, Hardy chegou a ter um contrato musical e gravou material sob o nome Tommy No. 1. Uma mixtape feita em 1999 com o produtor Edward Tracy apareceu na internet em 2018 e revelou que a música não era um interesse recente.

Como Frankie Pulitzer, ele já havia colaborado com o Czarface em 2021 e voltou a aparecer em “Knull & Void”, faixa com Method Man lançada em 2024. O novo disco desenvolve essa parceria em vez de apresentar o ator como atração solta.

Boom bap, quadrinhos e cinema

O Czarface construiu sua identidade misturando rap de Nova York, estética de histórias em quadrinhos e personagens maiores do que a vida real. O encontro com Hardy amplia esse universo. A produção trabalha com baterias secas, texturas cinematográficas e samples que deixam espaço para versos cheios de referências.

O ator cita filmes, personagens da Marvel, obras de Stephen King e nomes como Nicolas Cage e Willem Dafoe. Em “Grim-Visaged War”, chega a recuperar a voz de Bane, personagem que interpretou em “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, para recitar Shakespeare.

Ele consegue acompanhar os veteranos?

Hardy não tenta soar como um rapper de rádio. Sua entrega é grave, densa e por vezes teatral, o que combina melhor com a atmosfera do Czarface do que uma tentativa de buscar refrões populares. Existem momentos em que a interpretação ainda carrega rigidez, mas a dedicação à escrita e ao ritmo impede que o projeto soe como paródia.

O maior acerto está na escolha do ambiente. Em vez de lançar um disco genérico apoiado em sua imagem, Hardy entra numa linguagem já consolidada. Inspectah Deck, Esoteric e 7L mantêm o centro do projeto, enquanto Frankie Pulitzer funciona como personagem e MC.

“Czarface Meets Frankie Pulitzer” é pesado porque entende de onde quer tirar seu peso. O álbum olha para boom bap, quadrinhos, terror, cinema e cultura pop sem suavizar a produção para acomodar uma celebridade. Tom Hardy não pede licença para brincar de rap. Ele entra num universo difícil e aceita ser julgado pelas mesmas regras.

Fontes consultadas

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