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Música

Yannick Hara leva o rap do cinema novo brasileiro à África do Sul

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Por Rap Growing

O rap brasileiro sempre dialogou com política, estética e identidade cultural. Em novembro, Yannick Hara deu um passo simbólico nessa trajetória ao realizar sua primeira viagem internacional e apresentar, em Joanesburgo, uma proposta rara: o encontro entre rap, cinema novo brasileiro e a herança estética do Tropicalismo.

O artista participou do Global Creative Summit 2025, através do Fundo Cicla e da plataforma curatorial Flotar, levando ao público sul-africano os discos “Terra em Transe Vol. 1 – Brasilis” e “Terra em Transe Vol. 2 – Politiki”, ambos inspirados no clássico filme “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha.

Joburg em transe

Além da participação no Global Creative Summit, Yannick Hara também se apresentou no CSFI Orchestra, onde executou ao vivo as faixas dos dois volumes de “Terra em Transe”. O projeto nasce da fusão entre o rap contemporâneo e a linguagem do cinema novo brasileiro, movimento responsável por influenciar profundamente a estética do Tropicalismo e a forma como arte e política se cruzam no Brasil.

Levar esse repertório para Joanesburgo não foi apenas uma apresentação musical, mas um gesto cultural. Em um país marcado por sua própria história de resistência, colonialismo e reconstrução, o rap brasileiro de viés político encontrou terreno fértil para diálogo.

O rap do cinema novo em território africano

A experiência na África abriu novos caminhos criativos para o artista. Durante a viagem, Yannick Hara gravou a música tema oficial do Global Creative Summit ao lado de artistas de Gana, Camarões e da própria África do Sul, ampliando ainda mais o alcance do projeto.

“Essa troca me fez entender que as nossas histórias se conectam. Já estou produzindo um disco inteiro só com artistas africanos, que deve se chamar ‘The World is a Land in Anguish’ — ou ‘O Mundo é a Terra em Transe’.”

O novo projeto promete aprofundar essa conexão entre continentes, mantendo o rap como linguagem central, mas expandindo sua estética e narrativa a partir de vivências africanas.

Arte, política e deslocamento cultural

Ao levar o conceito de “Terra em Transe” para fora do Brasil, Yannick Hara não apenas exporta música, mas provoca reflexões sobre autoritarismo, crise política, identidade nacional e colonialismo — temas que atravessam tanto a história brasileira quanto a africana.

A passagem por Joanesburgo marca um ponto de virada na trajetória do artista, consolidando seu trabalho como um projeto artístico que ultrapassa fronteiras e reafirma o rap como ferramenta de leitura crítica do mundo.

Assista

🎥 Assista ao vídeo da apresentação em Joanesburgo:
Yannick Hara ao vivo em Joanesburgo

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Música

Batalha do Santa Cruz completa 20 anos e reafirma seu papel como berço do freestyle no Brasil

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Em fevereiro de 2026, a Batalha do Santa Cruz completa 20 anos de história. O que começou como uma roda cultural na calçada, em frente à estação Santa Cruz do metrô, virou um dos pontos mais importantes do freestyle no Brasil — não só pela técnica, mas pelo impacto real que gerou em gerações de jovens que encontraram ali pertencimento, disciplina e voz.

A batalha nasceu em 2006, impulsionada pela Afrika Kidz Crew, inspirada no modelo carioca da Batalha do Real. E desde então, criou um padrão que atravessou a cidade: encontro semanal, formato direto, público colado, e a rua como palco.

Como tudo começou: Afrika Kidz Crew, a calçada e o freestyle

A idealização da Afrika Kidz Crew surgiu da necessidade de criar arte e construir um espaço vivo de cultura. Em 2006, o coletivo promoveu a primeira roda cultural em frente ao Colégio Marista Arquidiocesano, na região da estação Santa Cruz (Linha Azul), e dali nasceu a Batalha do Santa Cruz — que viraria referência nacional nos anos seguintes.

“A Batalha do Santa Cruz é um divisor de águas na cena do rap paulista. Em 2006, o freestyle começou a pipocar em Sampa (…) acompanhávamos a cena do Rio de Janeiro e a Batalha do Real e pensamos: ‘Por que não temos algo assim em São Paulo?’”— Flow MC (depoimento em entrevista)

De R$ 1,00 por inscrição a uma vitrine cultural

No primeiro ano, a inscrição chegou a ser simbólica (R$ 1,00), e o campeão levava o valor arrecadado. Pouco tempo depois, a lógica mudou: a batalha passou a incentivar arrecadações culturais e apoio a produção musical independente — livros, discos, instrumentais e conexões com estúdios. A ideia era simples: quem vence também cresce.

“Calçada Sagrada”: regra, respeito e sobrevivência

Além de revelar talentos, a Santa Cruz ficou conhecida por moldar postura. Muita gente que colou adolescente fala que “aprendeu a viver” ali: conviver, respeitar, segurar a onda, ganhar e perder sem destruir o outro.

As regras sempre foram claras: nada de drogas, nada de álcool, nada de atacar família, nada de preconceito. Quem passa do limite é punido. O recado é um só: batalha é verbal — e a rua tem lei.

Os MCs que passaram pela Santa Cruz

Por duas décadas, a batalha serviu como primeiro palco pra uma lista grande de nomes. Ela entrou na memória do rap por ser vitrine e “campo de prova”. Tem registros de época apontando a Santa Cruz como espaço que revelou MCs como Emicida, além de circular nomes como Projota e Rashid, entre outros — cada um em seu momento, com sua caminhada.

A própria produção acadêmica sobre o tema reforça a centralidade da Santa Cruz como prática cultural e social em São Paulo, analisando sua dinâmica e o impacto do freestyle como ritual urbano.

O legado: quando a rua vira referência

O mais forte é que a Santa Cruz não ficou só nela. O modelo semanal e o peso cultural inspiraram outras batalhas e rodas pelo país, ajudando a espalhar a lógica do freestyle como disciplina, esporte mental e expressão social.

Serviço e como acompanhar

Se você já colou, você sabe: ali tem história. Se você nunca foi, é um dos poucos lugares onde você vê o rap acontecer sem filtro, olho no olho, e com regra de respeito.

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Música

Sotam amplia universo do “smooth funk” em “Até o Próximo Carnaval, Vol. 3”

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Projeto une funk, R&B e Neo Soul e reúne participações femininas em um EP que celebra encontros, despedidas e relações da folia.

O cantor e compositor Sotam lançou o EP “Até o Próximo Carnaval, Vol. 3”, dando sequência ao universo sonoro que vem construindo nos últimos anos. Composto por oito faixas, o projeto reúne elementos do funk, R&B e Neo Soul, reforçando o estilo que o artista batizou de “smooth funk”.

As músicas abordam encontros, desencontros e relações que surgem durante o período do Carnaval, traduzindo em som as emoções, os excessos e as conexões típicas da folia. O EP já está disponível nas plataformas digitais e conta com participações de Budah, Vivi, Triz, Carla Sol, Yngrid, Olívia, Nathi, Rob, entre outros nomes.

Consolidação do “smooth funk”

Em “Até o Próximo Carnaval, Vol. 3”, Sotam aprofunda a proposta sonora iniciada em projetos anteriores, misturando timbres orgânicos, grooves envolventes e melodias suaves ao ritmo do funk. A ideia é criar uma atmosfera que dialogue tanto com a pista quanto com momentos mais introspectivos.

O artista já vinha colhendo resultados expressivos com esse formato. Com a faixa “Sem Pausa” e o EP “Até o Próximo Carnaval, Vol. 2”, Sotam ultrapassou a marca de 50 milhões de reproduções nas plataformas digitais. :contentReference[oaicite:3]{index=3}

Visão artística

“A gente percebeu que o público gostou muito da sonoridade que a gente construiu. Eu queria trazer um pouco da minha cara para o funk e chegamos nessa mistura com o R&B e o Neo Soul.”

“Tenho certeza que quem curtiu as outras edições vai gostar ainda mais dessa nova versão.”

As declarações refletem o cuidado de Sotam em construir uma identidade própria dentro do funk, sem abrir mão da musicalidade e da emoção.

Força feminina nas colaborações

Um dos destaques do projeto está na escolha das participações. Sotam priorizou vozes femininas para enriquecer as narrativas e ampliar as perspectivas presentes nas músicas. Entre elas estão Budah, Vivi e Triz, nomes em ascensão e já consolidados na cena.

“São artistas que admiro e que contribuíram muito para a construção do projeto.”

“A gente percebeu a necessidade de contar essas histórias com mais presenças femininas, falando de situações que todo mundo passa.”

Segundo o artista, a proposta é trabalhar relações de forma menos óbvia, explorando sentimentos universais, independentemente de gênero.

Produção e construção sonora

A parte musical também teve papel central no desenvolvimento do EP. Produtores como Rob, Phyre, Tap e JOK3R assinam as faixas, ajudando a traduzir a proposta do “smooth funk” em arranjos mais orgânicos e refinados.

“Eles conseguiram traduzir essa sonoridade, trazendo elementos orgânicos que deixaram o trabalho ainda mais completo.”

A união entre composição, produção e conceito garante ao projeto uma identidade consistente do início ao fim.

Momento de alta na carreira

Em 2026, Sotam segue em fase de crescimento. No ano anterior, o artista entrou nos charts do Spotify no Brasil e na Europa com a música “Foi Assim”, que chegou ao Top 10 Viral no país e ao Top 25 em Portugal.

A canção integra o projeto “Fique o Tempo Que Precisar”, ao lado das faixas “2h30” e “Giz”, reforçando a versatilidade do artista entre o rap, o funk e as sonoridades melódicas.

Tracklist — “Até o Próximo Carnaval, Vol. 3”

  • 1. Obrigado Boêmia
  • 2. Bloco dos Apaixonados (feat. Carla Sol)
  • 3. Domingo de Verão (feat. Triz)
  • 4. Cura (feat. Yngrid)
  • 5. Biquíni (feat. Olívia)
  • 6. Faz Parte (feat. Vivi)
  • 7. Nosso Carnaval (feat. Budah)
  • 8. Depois do Meio Dia (feat. Nathi)

Com “Até o Próximo Carnaval, Vol. 3”, Sotam consolida seu espaço como um dos principais nomes da nova geração do rap e do funk nacional, apostando em identidade, sensibilidade e conexão direta com o público.

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Dressa levou “Efeito Borboleta” ao palco do CAOS e marcou fase histórica da carreira em Campinas

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A cantora Dressa viveu uma noite especial na última sexta-feira (23/1), ao apresentar, no CAOS, em Campinas (SP), o show inédito do álbum “Efeito Borboleta”. A performance marcou a estreia oficial do projeto nos palcos e consolidou um dos momentos mais importantes de sua trajetória solo.

O evento também contou com apresentação de MC PH e reuniu um público que acompanhou de perto a força estética, musical e emocional do novo capítulo da artista no rap nacional.

Uma apresentação intensa, madura e cheia de identidade

No palco, Dressa transformou “Efeito Borboleta” em experiência. Mais do que reproduzir o álbum ao vivo, a artista construiu uma narrativa, conectando música, presença e emoção em uma apresentação que mostrou maturidade, domínio vocal e leitura de público.

Ao longo do show, ficou evidente o cuidado com arranjos, transições e clima. A artista conseguiu transportar para o palco as duas faces do disco: a crua e a sensível, a intensa e a introspectiva, a urbana e a emocional.

“Efeito Borboleta” como obra central da noite

Lançado em dezembro, “Efeito Borboleta” é o primeiro álbum solo da carreira de Dressa e foi o grande protagonista da apresentação. Com 15 faixas, o projeto é dividido em duas narrativas complementares.

A primeira parte aborda sobrevivência e reconstrução, com forte presença do trap e do funk, criando atmosferas densas, de conflito e vivência real. Já a segunda parte apresenta uma Dressa mais sensível, consciente e introspectiva, incorporando elementos do R&B e texturas melódicas.

Essa dualidade foi traduzida com precisão no show, reforçando a força conceitual do disco também no formato ao vivo.

Produção refinada e time de peso

O álbum contou com realização da Capital Entertainment e direção criativa assinada por C.Z, reunindo um time de produtores que contribuiu diretamente para o impacto do projeto.

Participaram da construção sonora nomes como Pedro Lotto, Portugal no Beat, Caio Passos, Wey, Gustah, C.Z, Duani e RalphTheKid, responsáveis por uma paleta musical que equilibra potência e sensibilidade sem perder a essência da rua.

Participações que ampliaram a versatilidade

As colaborações do disco também foram refletidas no clima da apresentação. As faixas com participações reforçaram a versatilidade da artista e seu trânsito por diferentes universos da música urbana.

O projeto reúne nomes consolidados como MC Tuto, MC GP, Azzy e Cynthia Luz, além de talentos emergentes como Franco The Sir, DU’L e ZAM, ampliando o alcance artístico do álbum.

MC PH e DJs completaram a noite

A programação também contou com o show de MC PH, um dos nomes mais potentes do funk atual. Com repertório recheado de hits, o artista entregou uma apresentação intensa, direta e conectada com o público.

Os DJs BRUQ, MOUSE e THURZZZ completaram a line-up, mantendo a energia da casa ao longo de toda a noite.

Um marco na trajetória solo de Dressa

A estreia de “Efeito Borboleta” nos palcos deixou claro que Dressa vive um momento de consolidação artística. O show no CAOS simbolizou autonomia criativa, amadurecimento estético e domínio de narrativa.

Mais do que um lançamento bem-sucedido, a apresentação representou a afirmação de uma artista que encontrou sua voz, sua estética e seu espaço dentro da música urbana brasileira.


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Fontes

  • Material enviado à redação (assessoria/press release).

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