Cabês voltou ao formato de álbum autoral após quase uma década com “Ciclos”, quinto disco da carreira, lançado em 25 de setembro. O projeto reúne 12 faixas e revisita mais de 20 anos de relação do rapper e produtor curitibano com o hip-hop.
Construído ao longo de aproximadamente três anos, o álbum nasceu de um processo que chegou a cerca de 60 músicas antes da seleção final. O boom bap funciona como espinha dorsal, enquanto participações de Rashid, Matéria Prima, Bianca Hoffmann, Jamah, DJ Marco e DJ Vitonez conectam diferentes fases da trajetória de Cabês.
“Ciclos” recoloca Cabês no centro da própria carreira como MC
Cabês começou a rimar em Curitiba em 1999 e passou a produzir beats no ano seguinte. Em 2004, fundou o estúdio Track Cheio e, desde então, construiu uma carreira que alterna o microfone com a produção e a engenharia de som.
Nos últimos anos, o trabalho autoral havia ficado em segundo plano enquanto o artista se concentrava na produção musical. Nesse período, trabalhou com nomes como Karol Conká, Yago Oproprio, Coruja BC1, Rapadura, Lívia Cruz, Zudizilla, Matéria Prima e Max B.O.
O retorno ao boom bap também aproxima o disco de uma discussão que atravessa a história do rap brasileiro: como evoluir sem apagar a própria base. Esse movimento conversa com outras histórias acompanhadas pela Rap Growing, como a trajetória da Batalha da Aldeia como arquivo vivo do freestyle nacional.
Rashid, skate e relações construídas dentro do hip-hop
Uma das faixas que melhor resume o reencontro com as raízes é “História sem Fim”, parceria com Rashid. O repertório também abre espaço para R&B em “Olhos nos Olhos” e recupera elementos clássicos do hip-hop, como DJs e scratches.
“Eu quis voltar para a essência.”
Cabês, em declaração divulgada no lançamento de “Ciclos”
O skate aparece como outra referência importante. Cabês associa o processo de cair, levantar e repetir uma manobra à maneira como atravessou mudanças pessoais e profissionais. O conceito do disco se organiza em três atos: Essência, Reflexão e Inspiração.
As participações também foram escolhidas a partir de vínculos reais. DJ Vitonez, por exemplo, mantinha uma loja na Galeria do Rock onde Cabês vendeu cópias de seu álbum de estreia em São Paulo, em 2009. Rashid e Matéria Prima aparecem como conexões construídas ao longo de anos dentro da cena.
Um retorno ao ponto de partida sem tentar repetir o passado
“Ciclos” chega acompanhado por um curta-metragem em formato de manifesto produzido pela Sarça Filmes e por lyric videos das 12 faixas. A proposta visual acompanha a ideia de transformação que guia o álbum.
Depois de quase dez anos sem um disco autoral, Cabês volta ao microfone olhando para a própria história sem tentar congelá-la. O boom bap funciona menos como nostalgia e mais como elo entre diferentes momentos de uma carreira construída dentro do hip-hop brasileiro.