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Música

Ciça transforma pressão sobre o sobrenome em identidade no EP “Nepobaby”

Filha de Slim Rimografia e Bárbara Sweet, Ciça lança “Nepobaby”, EP de oito faixas que discute identidade, herança e rap.

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Ciça no lançamento do EP Nepobaby

Ciça lançou “Nepobaby”, primeiro EP da carreira, transformando em tema artístico a pressão que acompanha sua entrada no rap como filha de Slim Rimografia e Bárbara Sweet. O projeto chegou às plataformas em 25 de setembro com oito faixas e participação de Agnes Nunes.

A rapper mineira usa o próprio título do EP para discutir expectativas, privilégios percebidos e a tentativa de construir uma identidade que não dependa apenas de sua família. O trabalho também encerra sua participação no Amplifika, programa do Spotify voltado ao desenvolvimento de artistas negros.

“Nepobaby” usa a herança do hip-hop como ponto de partida

O sobrenome artístico não aparece no projeto apenas como provocação. Em “Segura a Bronca pt. 2”, Ciça cria uma continuação direta de “Segura a Bronca”, faixa lançada por Slim Rimografia em 2003. A produção é de Coyote Beatz.

Em outras faixas, como “Ser Ciça é Bom Demais” e “Boombap Não Vende”, a artista direciona o foco para as cobranças em torno de seu nome e para sua relação com o boom bap. Aos 18 anos, Ciça ainda está em um estágio de definição pública de persona, mas escolheu colocar essa discussão dentro da própria música.

O caminho lembra um movimento frequente no rap brasileiro: novas gerações entrando em uma cultura já consolidada e precisando encontrar voz própria. A Rap Growing acompanha essa renovação também em projetos independentes como o Open Mic Brasil, que coloca novas leituras sobre repertórios e performance no centro da experiência.

Boombap, intimidade e a participação de Agnes Nunes

O boombap atravessa boa parte do EP, mas o repertório não fica preso a uma única abordagem. “Apenas Cecília” desloca a narrativa da persona artística para uma leitura mais íntima, enquanto “Não Fale de Amor Comigo” encerra o projeto com vocais de Agnes Nunes.

“Quero que as pessoas ouçam e entendam quem é a Ciça.”

Ciça, em declaração sobre “Nepobaby”

A frase resume o ponto central do disco. O projeto não tenta apagar a relação familiar com o hip-hop, mas transformar essa herança em matéria de narrativa própria.

Além de Agnes Nunes, o EP apresenta produções que ajudam a sustentar essa identidade, enquanto a distribuição é da Symphonic Brasil. O lançamento sucede “Foca em Mim”, faixa divulgada anteriormente pela artista dentro do Spotify Singles.

O primeiro passo de uma identidade ainda em construção

“Nepobaby” funciona como apresentação formal de Ciça em formato de projeto. Em vez de fugir do rótulo que poderia acompanhar sua carreira, a rapper decidiu colocá-lo no título e responder musicalmente às expectativas criadas ao redor de seu nome.

Para a Rap Growing, o interesse está justamente nesse ponto: acompanhar como uma artista de nova geração transforma uma herança conhecida em linguagem própria, sem ignorar a história que veio antes.

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