A Casa de Cultura do Butantã vai receber uma ocupação de arte urbana criada por 13 mulheres com trajetórias ligadas ao território. Com inauguração marcada para 18 de outubro, às 11h, o projeto reúne murais, graffiti, lambe-lambes, stencil, pintura e poesia em uma intervenção que transforma as paredes do equipamento em registro de memória, pertencimento e presença feminina no espaço público.
A curadoria é da artista visual e muralista Andréa Tolaini, nascida e criada no Butantã, com produção de Isabel Tell e Jhemily Garcia. A proposta não trata a arte urbana apenas como decoração: as obras partem das áreas verdes, das histórias comunitárias e dos movimentos locais de preservação para construir uma narrativa coletiva sobre quem ocupa e cuida do bairro.
Graffiti e memória do Butantã dividem a mesma parede
Participam Andréa Tolaini, Kika Capucha, Priscila Montania, Lygia Lee, Thaís Gil, Camila Nega, Raphaeula, Liu Olivina, Mathiza, Isabel Tell, Drill, Ella e Lorraine Silva. As duas empenas laterais da Casa de Cultura também receberão uma obra de Tolaini que aproxima mulheres, árvores nativas e animais silvestres na mesma paisagem.
O endereço, na Avenida Junta Mizumoto, 13, no Jardim Peri Peri, é confirmado pela Prefeitura de São Paulo. A Casa de Cultura atua como equipamento de convivência e difusão artística da região e já recebeu ações ligadas ao hip-hop, oficinas, exposições e atividades comunitárias.
A ocupação conversa com uma linha que a Rap Growing acompanha dentro da cultura de rua: o graffiti como linguagem de território e não como elemento isolado. Em outro recorte recente, Santo André abriu espaço para projetos de MCs, DJs, breaking e graffiti no Mês do Hip-Hop.
Ocupação coloca mulheres do território no centro da criação
Segundo material enviado à Rap Growing pela assessoria do projeto nesta sexta-feira, 2 de outubro, a escolha das participantes parte de relações construídas com o Butantã e atravessa diferentes gerações e linguagens. A realização é da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, com apoio da Nou Colors.
Para Tolaini, a ocupação também fecha um ciclo pessoal: foi na própria Casa de Cultura, ainda adolescente, que ela viveu uma das primeiras experiências artísticas no palco. Agora, retorna como artista e curadora para transformar o mesmo espaço em uma obra coletiva sobre origem, cidade e direito de ocupação.
Crédito da capa: Assessoria Bianco/Divulgação.