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Cultura Hip-Hop

A CUFA criou o prêmio Hutúz antes de criar a Taça das Favelas, e o rap nunca saiu do torneio

Com finais estaduais correndo por todo o país em 2026, vale lembrar de onde o maior torneio de futebol de favelas do Brasil saiu: de uma organização que antes passou dez anos premiando rap nacional.

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O rapper MV Bill com uma camisa de time escrita Cidade de Deus, em uma passarela, com dois jovens caminhando ao fundo

A Taça das Favelas virou o maior torneio de futebol de base das favelas brasileiras, com finais estaduais acontecendo em várias regiões ao longo de 2026. O que quase não se conta é de onde ela saiu: a mesma organização que, antes do primeiro jogo, passou dez anos entregando um prêmio de rap no Rio de Janeiro.

Dez anos de Hutúz antes da primeira bola

A Central Única das Favelas, a CUFA, nasceu no fim dos anos 1990 no Rio. Uma dissertação defendida na PUC-Rio em 2009 data a criação em 1998; um documento da Unesco com a LSE, de 2024, usa 1999. O site da própria CUFA credita a fundação a Celso Athayde, que diz ter empresariado MV Bill e os Racionais MC’s antes de a organização existir.

O primeiro grande produto da casa não foi esportivo. Foi o Prêmio Hutúz, que teve dez edições entre 2000 e 2009 e funcionou como a principal premiação do rap brasileiro no período. A Taça das Favelas só apareceu depois, em 2012.

MV Bill, fundador e ex-CUFA

O nome que liga as duas pontas é MV Bill. O Valor Econômico o descreve como cofundador da CUFA; a Rolling Stone Brasil, como um dos fundadores. Em entrevista à TV Brasil exibida em fevereiro de 2025, o rapper contou que saiu da organização havia cerca de 12 anos, depois de 20 anos de casa.

Ou seja: o rapper da Cidade de Deus esteve dentro da estrutura que criou o Hutúz e viu nascer a Taça, e depois seguiu caminho próprio. A ligação entre rap e CUFA não é marketing posterior, está na fundação.

Dexter levou a Taça das Favelas para São Paulo

A chegada do torneio a São Paulo, em 2019, tem um rapper no meio. Em vídeo publicado no canal da Taça em março de 2019, Celso Athayde conta que Dexter foi uma das pessoas que o empurraram a levar a competição para o estado. É a versão dele, não confirmada de forma independente. O que é público e registrado: no lançamento paulista, no Museu do Futebol, no Pacaembu, Dexter foi anunciado embaixador da Taça São Paulo. As finais daquele ano foram no próprio Pacaembu, em 1º de junho.

Do Rio para o país

  • 2012: primeira edição, no Rio, com 80 times (64 masculinos e 16 femininos) e cerca de 2 mil jovens de 15 a 17 anos.
  • 2017: o torneio sai do Rio e ganha edições em Belo Horizonte e Fortaleza.
  • 2018: estreia no Paraná.
  • 2019: São Paulo entra, com finais no Pacaembu.
  • 2022: primeiro Favelão, a etapa nacional, com finais em 19 de novembro na Arena Barueri.

O tamanho de 2026

No Paraná, a sétima edição estadual reuniu cerca de 96 times de favelas nas categorias masculina e feminina, com equipes de Curitiba e região metropolitana e de cidades como Francisco Beltrão, Ponta Grossa, Paranaguá e Itaperuçu. A organização local é do Instituto Athús, com financiamento do Ministério do Esporte, dentro da rede da CUFA, que atua em mais de 310 favelas do estado. As finais foram no Estádio Durival Britto e Silva, a Vila Capanema, em 31 de outubro.

No mesmo dia, o Rio levou suas finais ao Estádio Moça Bonita, em Bangu. Outras etapas estaduais correram em paralelo ao longo do ano, de Jundiaí ao Ceará, do Pará à Paraíba.

Para quem acompanha rap, a leitura é direta: a estrutura que hoje coloca milhares de jovens de favela em estádio é a mesma que, duas décadas atrás, bancava a premiação que dava troféu para disco de rap nacional. Mudou o produto, não o endereço.

Leia também na Rap Growing: Os discos do GOG, com 11 álbuns, prêmios Hutúz e um livro com 48 letras e Acervo Cultne faz um ano como manifestação da cultura brasileira.

Foto: Campus Party Brasil (CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons).

Fontes e créditos

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