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Música

Busta Rhymes anuncia “Dillagence 2” com produção inédita de J Dilla

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Busta Rhymes confirmou “Dillagence 2”, novo projeto construído sobre produção inédita de J Dilla. O álbum tem lançamento previsto para 25 de agosto de 2026 e retoma uma conexão que já havia marcado a mixtape “Dillagence”, lançada em 2007 com Mick Boogie.

A notícia chama atenção porque J Dilla morreu em 2006, mas deixou um arquivo de beats que segue sendo tratado como patrimônio sensível do hip-hop. Busta já afirmou em entrevistas antigas que recebeu centenas de produções do beatmaker, e a campanha atual recoloca essa história em circulação com a presença de Ma Dukes, mãe de Dilla, como figura de validação simbólica.

O cuidado editorial aqui é importante. Dizer que o disco usa beats inéditos de J Dilla não significa afirmar que todas as faixas foram originalmente pensadas para Busta Rhymes ou que cada detalhe do álbum carrega uma aprovação direta do produtor. O que existe é um trabalho novo feito a partir de material preservado.

Arquivo não é só nostalgia

Projetos póstumos sempre caminham numa linha fina. Eles podem manter uma obra viva, apresentar novas combinações e impedir que arquivos importantes fiquem trancados. Mas também podem transformar ausência em produto, principalmente quando o artista já não está presente para dizer o que faria, descartaria ou mudaria.

No caso de J Dilla, essa discussão é ainda mais delicada porque sua linguagem de produção virou escola. Drums tortos, swing humano, cortes de sample e uma relação própria com o tempo influenciaram gerações inteiras de produtores. Usar esse arquivo exige mais do que autorização formal: exige escuta.

Busta Rhymes tem uma vantagem real nessa equação. Ele não chega como visitante tardio. A relação entre os dois atravessa faixas, bastidores e a mixtape de 2007, quando Busta rimou sobre instrumentais de Dilla em um projeto que virou peça de memória para fãs da dupla.

Participações aumentam o peso do projeto

A tracklist divulgada em páginas especializadas aponta um elenco pesado de participações, incluindo D’Angelo, Big Sean, Anderson .Paak, Ludacris, Lil Wayne, Common, Jon Batiste, Talib Kweli, T3, Honey Bxby, Trillian e La Reezy. O interesse não está apenas nos nomes, mas no choque entre vozes de épocas diferentes em cima de uma arquitetura rítmica associada a Dilla.

Singles como “SPAZZZ” e “Talk Ya Shit” ajudam a medir o tom da campanha. Busta segue usando voz, velocidade e ataque como assinatura, enquanto a presença de Lil Wayne coloca outra geração de rap técnico em diálogo com a memória de Dilla.

“Dillagence 2” pode funcionar como tributo, disco de arquivo e exercício de curadoria ao mesmo tempo. A pergunta que fica para 25 de agosto é se o álbum vai soar como reencontro orgânico ou como vitrine de peças raras. Com Busta, a expectativa é de energia; com Dilla, a exigência é de respeito ao silêncio que também faz parte do legado.

O que observar no lançamento

Quando o álbum chegar às plataformas, vale conferir créditos faixa por faixa, produtores adicionais, origem dos beats e a forma como Ma Dukes aparece no projeto. Esses detalhes ajudam a separar homenagem, gestão de catálogo e criação contemporânea.

Fontes consultadas

Foto de capa: Paras Griffin/Getty Images e Gregory Bojorquez/Getty Images, via Complex. Imagem editorial com Busta Rhymes e J Dilla.

Leia também na Rap Growing: Música, Rap Internacional e The Game lança “The Documentary III”.

Cultura Hip-Hop

Julgamento pela morte de Tupac avança com 17 testemunhas e falas de Keffe D no centro

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A primeira semana do julgamento pela morte de Tupac Shakur colocou Duane “Keffe D” Davis no centro de uma disputa entre memória, confissão pública e prova judicial. Em Las Vegas, jurados ouviram testemunhas, investigadores e registros antigos que a acusação usa para sustentar a tese de que Davis ajudou a organizar o ataque de 1996.

O ponto mais sensível é que Davis não é acusado de ter disparado contra Tupac. A acusação afirma que ele estava no Cadillac branco envolvido na emboscada e que suas próprias declarações, dadas em entrevistas, livro e conversas com autoridades, ajudam a reconstruir a dinâmica do crime.

A defesa tenta desmontar justamente esse eixo. O argumento é que as falas de Davis foram exageradas, contraditórias e moldadas por anos de espetacularização em torno do caso. Por isso, a Rap Growing trata essas declarações como material em disputa, não como veredito.

O que o júri ouviu

Segundo a cobertura da Associated Press, os primeiros dias do julgamento tiveram 17 testemunhas. Entre os elementos apresentados, jurados ouviram uma gravação de 2008 na qual Davis atribui os disparos a Orlando “Baby Lane” Anderson, seu sobrinho, morto em 1998.

A acusação também recupera a briga ocorrida em um cassino de Las Vegas pouco antes do ataque contra o carro em que estavam Tupac e Marion “Suge” Knight. Para os promotores, aquele episódio teria sido o estopim de uma retaliação. A defesa, por outro lado, questiona a investigação original e a confiabilidade de versões reconstruídas quase três décadas depois.

Davis se declarou inocente. Isso precisa aparecer com clareza porque o caso atravessou 30 anos de documentários, podcasts, teorias e recortes de internet. A diferença entre relato, hipótese, prova admitida e decisão do júri é parte central da cobertura.

O peso cultural do processo

O julgamento não mexe apenas com a memória de um assassinato. Ele toca uma ferida da cultura hip-hop: a forma como a morte de Tupac virou produto, lenda e disputa narrativa. Durante anos, a ausência de julgamento abriu espaço para versões paralelas que cresceram junto com o mercado de true crime e nostalgia do rap dos anos 1990.

Agora, a sala do tribunal força outro tipo de leitura. O que antes circulava como entrevista, autobiografia ou conversa de bastidor passa a ser confrontado por regras processuais, testemunhas e evidências. Isso não elimina a dimensão simbólica de Tupac, mas reposiciona o caso num terreno mais duro.

Também é preciso evitar a armadilha de transformar o julgamento em espetáculo. Tupac tinha 25 anos quando morreu, em 13 de setembro de 1996, dias depois de ser baleado em Las Vegas. A dimensão histórica não apaga o fato central: uma vida foi interrompida e uma família acompanha o processo quase 30 anos depois.

O que vem pela frente

O julgamento deve continuar com novas testemunhas e novas disputas sobre o valor das declarações de Davis. Até que haja decisão, qualquer formulação precisa manter o cuidado: Davis é réu, declarou-se inocente e as versões sobre quem atirou ainda estão sendo avaliadas no processo.

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Fontes consultadas

Foto de capa: Tupac Shakur no Club USA, em Nova York, em 1994. Foto: Ron Galella/Ron Galella Collection/Getty Images, via The Guardian.

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Cultura Hip-Hop

Clube de Leitura do Rap abre temporada com Parteum e trata letra como literatura

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O Clube de Leitura do Rap abriu sua nova temporada no Sesc Vila Mariana com Parteum no centro da conversa. A atividade aconteceu no sábado, 22 de agosto de 2026, às 15h, com entrada gratuita, e colocou as letras “Raciocínio Quebrado” e “Raciocínio Inteiro” como material de leitura coletiva.

A ideia do projeto é simples, mas forte: tratar a letra de rap como literatura, documento de época e tecnologia de pensamento. Em vez de ouvir a música apenas como impacto sonoro, o encontro propõe uma pausa para ler, reler, discutir contexto, escolha de palavras, referências e camadas de interpretação.

Parteum é uma escolha precisa para abrir essa temporada. MC, produtor, pesquisador e articulador, ele sempre trabalhou o rap como uma linguagem que junta escrita, beat, desenho de cena e pensamento crítico. Sua obra não separa técnica de reflexão; a palavra entra como construção de sentido, não como enfeite em cima do instrumental.

Rap lido em voz alta muda de lugar

Quando uma letra sai do fone e vira leitura em grupo, ela muda de função. O verso deixa de ser só performance individual e passa a circular como texto coletivo. É aí que o rap aparece com sua potência mais ampla: narrar território, organizar memória, disputar linguagem e traduzir experiências que a cultura oficial muitas vezes tenta simplificar.

Segundo a programação divulgada, o Clube de Leitura do Rap foi criado por Nerie Bento, Marco Aurélio, o Marcola, e Viny Rodrigues. A dinâmica seleciona composições dos artistas convidados, distribui as letras ao público e transforma alguns trechos em ponto de partida para debate.

O encontro com Parteum também funciona como chave para uma conversa maior sobre a escrita no hip-hop brasileiro. A cultura do rap sempre produziu crônica, manifesto, autobiografia, crítica social e ficção urbana, mesmo quando parte do mercado insistiu em tratar tudo isso apenas como entretenimento.

A temporada continua com Hariel e Rico Dalasam

A programação segue em 16 de setembro com MC Hariel e em 17 de outubro com Rico Dalasam. A presença de Hariel amplia a ponte entre rap e funk, duas linguagens periféricas que dividem códigos de rua, tensão com o poder público, narrativa de sobrevivência e disputa de respeito estético.

Já Rico Dalasam leva o debate para outro campo de invenção: afeto, identidade, corpo e gênero dentro da música negra brasileira. O desenho da temporada mostra que o clube não está interessado em congelar o rap em uma única escola. A proposta é aproximar artistas que usam palavra, ritmo e performance para produzir conhecimento.

Para a Rap Growing, esse tipo de agenda importa porque ajuda a reposicionar a conversa sobre hip-hop. Não se trata apenas de celebrar artistas. Trata-se de reconhecer que o rap brasileiro criou biblioteca própria, com autores, estilos, contradições, escolas e leitores.

Serviço

Clube de Leitura do Rap – Sesc Vila Mariana
22 de agosto de 2026, 15h: Parteum
16 de setembro de 2026, 19h: MC Hariel
17 de outubro de 2026, 15h: Rico Dalasam
Endereço: Rua Pelotas, 141, Vila Mariana, São Paulo
Entrada gratuita e classificação livre.

Fontes consultadas

Foto de capa: Divulgação/Assessoria Bianco, via Sampa Online. Referência visual ligada diretamente à temporada do Clube de Leitura do Rap.

Leia também na Rap Growing: Cultura Hip-Hop, Música e Os quatro elementos do hip-hop continuam vivos e em transformação.

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Música

Denzel Curry e Kenneth Blume voltam a desmontar o formato do rap em “ii”

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Denzel Curry e Kenneth Blume voltaram a trabalhar juntos em “ii”, lançado em 21 de agosto de 2026 pela Loma Vista. O álbum tem nove faixas, 24 minutos e uma energia que parece feita para impedir qualquer zona de conforto.

A dupla já tinha deixado uma marca com “Unlocked”, em 2020, quando transformou rap de laboratório, referências de animação, cortes secos e sujeira de sample em uma parceria de culto. Seis anos depois, o produtor antes conhecido como Kenny Beats reaparece como Kenneth Blume, e a mudança de nome ajuda a sinalizar uma nova fase.

O que continua é a tensão criativa. “ii” não tenta suavizar Denzel nem organizar demais suas explosões. O disco trabalha com batidas quebradas, vozes retorcidas, mudanças de textura e um senso de urgência que combina com um MC que sempre rimou como se estivesse empurrando a própria técnica para fora do lugar.

Curto porque não desperdiça ideia

A duração é uma parte importante do projeto. Em 24 minutos, “ii” não deixa espaço para enchimento. Cada faixa precisa ter função, seja para abrir outra dinâmica de flow, para deslocar a produção ou para receber uma participação sem quebrar a arquitetura do álbum.

A Apple Music lista JPEGMAFIA e Westside Gunn entre as participações, enquanto Yebba aparece no encerramento “Difference”. A presença desses nomes ajuda a entender o mapa do disco: rap experimental, tradição de rua, canto soul e uma produção que prefere fricção a acabamento polido.

Blume não age como produtor que só entrega base. Ele interfere na narrativa. A bateria parece comentar a voz de Denzel, os cortes mudam a respiração das faixas e os samples funcionam como pequenas colisões. O resultado é um disco que parece simples no tamanho, mas inquieto na montagem.

Denzel rima entre controle e incêndio

Denzel Curry sempre teve uma característica rara: técnica alta sem perder sensação de corpo. Ele consegue rimar com precisão e, ao mesmo tempo, manter a performance agressiva, física, quase teatral. Em “ii”, isso aparece com força porque as bases não deixam o rapper repousar em um único registro.

O álbum também conversa com a memória do rap de forma menos nostálgica do que parece. Há ecos de boom bap, sujeira noventista e cultura de mixtape, mas nada soa como reconstituição de museu. A dupla usa essas referências para quebrar estrutura, não para pedir licença à tradição.

Por isso, “ii” funciona melhor quando ouvido como sequência espiritual, não como repetição de “Unlocked”. Denzel e Blume retornam à química da parceria, mas não tentam congelar o truque. A graça está em perceber que o formato continua sendo desmontado na frente do ouvinte.

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Fontes consultadas

Foto de capa: Evan Tetreault/Divulgação, via Pitchfork. Imagem oficial da campanha de Denzel Curry e Kenneth Blume.

Leia também na Rap Growing: Música, Rap Internacional e The Game lança “The Documentary III”.

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