Denzel Curry e Kenneth Blume voltaram a trabalhar juntos em “ii”, lançado em 21 de agosto de 2026 pela Loma Vista. O álbum tem nove faixas, 24 minutos e uma energia que parece feita para impedir qualquer zona de conforto.
A dupla já tinha deixado uma marca com “Unlocked”, em 2020, quando transformou rap de laboratório, referências de animação, cortes secos e sujeira de sample em uma parceria de culto. Seis anos depois, o produtor antes conhecido como Kenny Beats reaparece como Kenneth Blume, e a mudança de nome ajuda a sinalizar uma nova fase.
O que continua é a tensão criativa. “ii” não tenta suavizar Denzel nem organizar demais suas explosões. O disco trabalha com batidas quebradas, vozes retorcidas, mudanças de textura e um senso de urgência que combina com um MC que sempre rimou como se estivesse empurrando a própria técnica para fora do lugar.
Curto porque não desperdiça ideia
A duração é uma parte importante do projeto. Em 24 minutos, “ii” não deixa espaço para enchimento. Cada faixa precisa ter função, seja para abrir outra dinâmica de flow, para deslocar a produção ou para receber uma participação sem quebrar a arquitetura do álbum.
A Apple Music lista JPEGMAFIA e Westside Gunn entre as participações, enquanto Yebba aparece no encerramento “Difference”. A presença desses nomes ajuda a entender o mapa do disco: rap experimental, tradição de rua, canto soul e uma produção que prefere fricção a acabamento polido.
Blume não age como produtor que só entrega base. Ele interfere na narrativa. A bateria parece comentar a voz de Denzel, os cortes mudam a respiração das faixas e os samples funcionam como pequenas colisões. O resultado é um disco que parece simples no tamanho, mas inquieto na montagem.
Denzel rima entre controle e incêndio
Denzel Curry sempre teve uma característica rara: técnica alta sem perder sensação de corpo. Ele consegue rimar com precisão e, ao mesmo tempo, manter a performance agressiva, física, quase teatral. Em “ii”, isso aparece com força porque as bases não deixam o rapper repousar em um único registro.
O álbum também conversa com a memória do rap de forma menos nostálgica do que parece. Há ecos de boom bap, sujeira noventista e cultura de mixtape, mas nada soa como reconstituição de museu. A dupla usa essas referências para quebrar estrutura, não para pedir licença à tradição.
Por isso, “ii” funciona melhor quando ouvido como sequência espiritual, não como repetição de “Unlocked”. Denzel e Blume retornam à química da parceria, mas não tentam congelar o truque. A graça está em perceber que o formato continua sendo desmontado na frente do ouvinte.
A Rap Growing utiliza cookies essenciais e outras tecnologias para garantir o funcionamento do site, analisar a audiência e medir a publicidade exibida em parceria com o Grupo UOL. Você pode aceitar todos os cookies, recusar os não essenciais ou gerenciar suas preferências. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.
Preferências de cookies
Escolha quais categorias de cookies você permite. Os cookies necessários permanecem ativos para garantir o funcionamento do site.
Cookies necessários garantem funções básicas, segurança e o funcionamento correto do site.
Nome
Descrição
Duração
Cookie Preferences
This cookie is used to store the user's cookie consent preferences.