Um documentário construído a partir das lembranças de moradores do Jaraguá, na zona noroeste de São Paulo, teve sessão de estreia anunciada para domingo, 11 de outubro, às 14h. A produção é do coletivo Morada do Jaraguá Okênozune, com direção de Suêrda Deboa, e coloca a memória oral da comunidade no centro da narrativa.
Segundo informações enviadas à Rap Growing pela equipe de divulgação e publicadas pelo Pretessências em 8 de outubro, o filme reúne relatos sobre cotidiano, mudanças no bairro e relações construídas ao longo de décadas. A sessão de estreia havia sido anunciada como gratuita, seguida por uma conversa sobre o processo de realização e as histórias registradas.
Moradores narram o Jaraguá a partir das próprias experiências
O formato aposta no testemunho direto de quem vive o território, em vez de apresentar o bairro apenas por estatísticas ou por olhares externos. Entre os entrevistados identificados na ficha técnica estão Damião Dias, Waldir Rodrigues, Carlos Eduardo de Jesus, Adalberto Fernando Ferreira de Oliveira, Dirce dos Santos e Rosa Francisca de Morais. Suêrda Deboa também assina as entrevistas, enquanto Maria Shu é responsável pelo roteiro.
O valor desse tipo de produção está no que costuma ficar fora de grandes arquivos: as lembranças de vizinhança, as experiências de formação de uma comunidade e a percepção de como as ruas e as relações se transformam com o tempo. A narrativa do documentário foi concebida para registrar essas experiências antes que se percam, segundo o material encaminhado à imprensa.
Imagem de capa: vista do Pico do Jaraguá, fotografia de contexto territorial, não das filmagens. Emy.nunes / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.
Por que registrar a história da periferia é um gesto cultural
Memória oral e audiovisual não substituem documentos históricos, mas acrescentam algo que arquivos oficiais raramente conseguem guardar sozinhos: o modo como as pessoas lembram e interpretam os lugares onde vivem. A produção do coletivo trata a comunidade como autora do próprio registro, e não apenas como tema de uma reportagem externa.
É uma discussão que também atravessa outras expressões da cultura urbana, do hip-hop às iniciativas que ocupam espaços públicos com arte. A Rap Growing mostrou recentemente a ligação entre uma batalha de rima e o debate sobre justiça climática nas quebradas, exemplo diferente de como experiências territoriais podem se transformar em ação cultural.
A equipe de divulgação identifica Sadraque Domingos e Caroline Brandão na captação das imagens, Arú Soares Martins de Melo no áudio e Igor Pinheiro na edição. A trilha sonora inclui violão de Igor Mendes e voz de Fernanda Cabral, com produção musical de Clevison Ferreira. O material de divulgação informou que a estreia seria gratuita em 11 de outubro, às 14h, sem indicar o endereço da sessão. Por isso, a Rap Growing não apresenta um local não confirmado.