Neste sábado (31), às 17h, 16 MCs disputam na Biblioteca Nacional, em Brasília, a vaga do Distrito Federal na Grande Final do Duelo de MCs Nacional, como mostrou a agenda dos estaduais da Rap Growing. A final é só o capítulo mais recente de uma das cenas de rap mais fortes do país, descrita por muitos como a segunda maior do Brasil, atrás de São Paulo.
Das cidades-satélite para o país
O hip-hop se firma no DF no fim dos anos 1980, longe do Plano Piloto, nas cidades-satélite. Em 1990, surge o grupo Câmbio Negro, criado pelo rapper conhecido como X. Pouco depois, GOG, nascido em Sobradinho e que começou a carreira como poeta, lança seu primeiro CD, Peso Pesado, em 1992, segundo o verbete Brasília hip-hop da Wikipédia.
Em 1993, DJ Jamaika, também de Ceilândia, começa a promover o hip-hop no DF. A cena ganhou reconhecimento nacional nos anos 2000: em 2007, GOG levou o Prêmio Hutúz de melhor artista, e DJ Jamaika, o de melhor beatmaker.
A geração seguinte: Flora Matos e RAPadura
Nos anos 2000, o DF revelou uma nova leva de artistas. Flora Matos lançou o primeiro projeto solo, Noções Unidas, em 2003, e passou a circular pela cena nacional, chegando a dividir palco com Emicida em 2009. RAPadura, que se mudou de Fortaleza para Brasília em 1997, misturou forró e rap e apareceu no programa Manos e Minas, da TV Cultura, em 2008.
As batalhas e os nomes que estouraram
A partir de 2010, as batalhas de rima se espalharam pelo DF. Vieram a Batalha do Calango Pensante (2010), a Batalha do Museu, criada por MC Zen, e a que virou a Batalha do Neurônio (ambas em 2012). Em 2013, cinco mulheres criaram o coletivo Batalha das Gurias, para incentivar a presença feminina no hip-hop local. Em 2015, um projeto semanal de estudantes da UnB chegou a reunir cerca de 400 pessoas.
Dessa geração saíram nomes que ganharam projeção nacional por volta de 2017, como Froid, Alves, Jean Tassy e Murica. Alves, por exemplo, representou Brasília no Duelo de MCs de 2020, em que enfrentou o pernambucano Vinicius ZN, segundo registros do evento no Wikimedia Commons.
Rap e trabalho social
Uma marca da cena candanga é a ligação entre hip-hop, educação e trabalho comunitário: eventos que combinam shows e batalhas com oficinas em escolas e ações nas quebradas. É essa tradição que sobe ao palco da Biblioteca Nacional no sábado, quando o DF escolhe quem vai representá-lo em Belo Horizonte.
Leia também na Rap Growing: Estação São Bento: o berço do hip-hop brasileiro e Batalha do Santa Cruz: 20 anos de história.
Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil (CC BY 3.0 BR, via Wikimedia Commons).
Fontes