Connect with us

Basquete

Allen Iverson e o código de vestimenta da NBA: a regra que mudou a moda do esporte

Em 2005, a NBA proibiu joias grandes, bonés e Timberlands. Allen Iverson reagiu, e a regra acabou criando a moda do túnel.

Published

on

Allen Iverson conduz a bola com o uniforme do Philadelphia 76ers em 2009

Em 17 de outubro de 2005, a NBA anunciou um código de vestimenta que proibia seus jogadores de chegar aos jogos com camisas de time, jeans, bonés, durags, joias grandes e botas no estilo Timberland. A regra, criada pelo então comissário David Stern, passou a valer na temporada 2005-06 e mirava, na prática, o visual que o hip-hop tinha levado para dentro da liga.

O rosto desse visual era Allen Iverson. A resposta dele à regra virou frase histórica, e o que veio depois mudou não só a NBA, mas a forma como atletas e rappers se vestem até hoje.

O que o código de vestimenta da NBA proibia

Segundo o registro da regra na Wikipedia, com base em reportagens da ESPN e da Associated Press de outubro de 2005, os jogadores passaram a ser obrigados a usar roupa social ou “business casual” ao chegar e sair dos jogos, no banco quando lesionados e em compromissos oficiais da liga. Ficaram vetados camisas de jogo, jeans, bonés, durags, camisetas, joias grandes, tênis e botas de trilha no estilo Timberland. Quem descumprisse poderia ser multado e, em caso de reincidência, suspenso.

O código foi tratado como consequência direta da “Malice at the Palace”, a briga generalizada entre jogadores de Pacers e Pistons e torcedores em Detroit, em novembro de 2004, que abalou a imagem da liga.

A reação de Allen Iverson e dos jogadores

Iverson, que jogava pelo Philadelphia 76ers e era o maior símbolo da aproximação entre NBA e hip-hop, reagiu de forma direta: “o código de vestimenta não é quem eu sou e não me deixa me expressar”, disse na época, em tradução livre. Em entrevistas posteriores, afirmou que a liga só agiu depois que outros jogadores começaram a copiar o estilo dele.

Stephen Jackson e Paul Pierce também criticaram a regra, argumentando que roupa não define caráter e que associar a moda do hip-hop a crime tinha fundo racista. Charles Barkley, no programa de Jay Leno, reconheceu a conotação racial, mas apoiou o código. Anos depois, em entrevista ao Andscape em 2019, Stern disse que o sindicato dos jogadores apoiou a ideia no início e só passou a atacá-lo depois do anúncio.

Como a regra acabou criando a moda do túnel

O efeito foi o oposto do esperado. Proibidos de usar o uniforme do hip-hop, os jogadores passaram a explorar alfaiataria, grifes e peças de luxo, e a chegada ao ginásio virou passarela. Em 2016, a Rolling Stone resumiu a virada: os atletas acabaram abraçando o código e se divertindo com ele.

Com Adam Silver no comando a partir de 2014, a fiscalização ficou mais flexível, e as “pregame fits” viraram conteúdo próprio, com perfis como @leaguefits e @nbafashionfits e jogadores como Shai Gilgeous-Alexander e Devin Booker tratados como ícones de moda. A liga que tentou tirar o hip-hop da porta do vestiário acabou transformando essa porta numa das vitrines de moda mais vistas do mundo.

Por que essa história conversa com o rap e o streetwear

A NBA sempre andou junto do rap, das quadras de rua aos clipes, como a Rap Growing mostrou na história do jogo de Jay-Z e Fat Joe no Rucker Park e na trajetória dos Bulls de 1995-96. O código de 2005 é o momento em que essa relação foi testada, e o resultado mostra que estilo não some por decreto: muda de forma e volta mais forte.

Fontes e créditos

Data, itens proibidos, reações e histórico: Wikipedia, “NBA dress code”, que cita ESPN (18/10/2005), Associated Press, Andscape (10/09/2019) e outros. Análise da mudança na moda: Rolling Stone. Foto: Allen Iverson pelo Philadelphia 76ers em 2009, por Kevin Burkett / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0).

Trending