Música

Major RD leva o trap para um dia de metal e mostra a força do rap no Rock in Rio

Major RD levou trap, banda e influência do rock ao Espaço Favela do Rock in Rio 2026 e mostrou como as fronteiras entre os gêneros estão desaparecendo.

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Major RD entrou no Rock in Rio 2026 em um contexto que poderia parecer hostil para qualquer rapper: um sábado dominado pelo metal.

No mesmo dia de Avenged Sevenfold, Bring Me The Horizon, Sepultura e Poppy, o artista carioca ocupou o Espaço Favela e mostrou por que o trap brasileiro já não precisa pedir licença para circular por outros territórios.

Segundo a Folha de S.Paulo, a apresentação aconteceu no sábado, 5 de setembro, e reuniu centenas de jovens em torno de um repertório que abriu com “Só Rock” e passou por faixas como “60k” e “Rimo igual Pac”.

A presença de banda no palco, com guitarra, baixo, bateria e DJ, ajudou a explicar o encaixe, em uma aproximação que também aparece em projetos como o Open Mic Brasil. As guitarras não apareceram como concessão ao festival. Elas já fazem parte da linguagem que Major RD vem construindo.

Essa mistura também diz muito sobre uma parte da nova geração do trap nacional. Moshpit, distorção, roupa pesada, estética de skate e energia de show de hardcore já atravessam o rap brasileiro há anos.

No Rock in Rio, porém, essa relação ganhou uma escala maior. O que costuma acontecer em casas de show, festas e festivais de nicho apareceu dentro de uma das maiores vitrines musicais do país.

A escolha do dia também importa. Major RD não foi encaixado em uma programação feita apenas para o rap. Ele apareceu em um sábado em que o festival estava olhando para o peso, para a guitarra e para uma audiência acostumada a outro tipo de catarse.

Mesmo assim, o show funcionou porque a fronteira entre esses públicos está menos rígida do que parece. Quem acompanha o trap brasileiro sabe que parte dessa cena nasceu justamente de cruzamentos: rua, internet, rock, funk, moda, skate e cultura periférica.

Ao ocupar o Espaço Favela nesse contexto, Major RD reforçou uma mensagem simples: o rap não precisa ficar limitado a noites temáticas ou palcos separados para ser entendido como parte central da música jovem brasileira.

O trap estava ali porque já pertence à conversa.

Para o Rap Growing, esse é o ponto mais relevante da apresentação. Mais do que registrar um show, o momento confirma que a nova geração do rap brasileiro está disputando espaço nos grandes festivais sem abandonar a própria estética, a mesma disputa por linguagem que iniciativas como o UnderSesh vêm organizando no underground.

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