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Música

Streaming cresceu no Brasil, mas a carreira de artista médio continua sob pressão

Spotify aponta crescimento de royalties no Brasil, enquanto músicos e pesquisadores questionam se o modelo sustenta artistas fora do topo.

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Fones de ouvido representam descoberta e streaming de música

O streaming transformou o Brasil em um mercado musical maior, mais global e mais acessível. Mas o crescimento do bolo não encerrou uma pergunta incômoda: quanto desse avanço consegue sustentar artistas que têm público real, mas estão longe dos maiores números das plataformas?

A discussão voltou ao centro nesta semana com uma reportagem da Folha de S.Paulo baseada no livro “A Grande Trapaça Digital”, de Luiz Cesar Pimentel, e em relatos de músicos brasileiros. O argumento é que artistas médios perderam receitas físicas sem conseguir substituir completamente esse dinheiro pelos plays.

Os números do streaming mostram crescimento real

O outro lado da discussão também precisa ser colocado na mesa. Segundo dados divulgados pelo Spotify, artistas brasileiros geraram aproximadamente R$ 2 bilhões em royalties na plataforma em 2025, alta de 24% em relação ao ano anterior.

A empresa afirma ainda que o número de artistas brasileiros que geraram mais de R$ 1 milhão no Spotify mais que dobrou em três anos. O português também foi o idioma que mais cresceu entre os que ultrapassaram US$ 100 milhões em royalties na plataforma em 2025.

Esses números mostram que streaming não pode ser resumido como um modelo que simplesmente “não paga”. A questão é como a receita se distribui, quais artistas conseguem atingir escala e quanto sobra depois da divisão entre detentores de direitos, gravadoras, distribuidoras, editoras e outros participantes.

O problema aparece no meio da pirâmide

A reportagem da Folha traz relatos de artistas que mantêm público fiel e continuam lotando casas, mas precisam tocar constantemente para sustentar a operação. É nesse espaço entre o desconhecido e o superstar que surge a ideia de uma “classe média” da música pressionada pelo novo modelo.

O Spotify explica em seu guia oficial de royalties que não existe uma taxa fixa por stream. A receita líquida é distribuída aos detentores de direitos com base na participação de cada catálogo no total de reproduções de um mercado, e os artistas recebem conforme seus contratos.

Isso significa que dois artistas com números parecidos podem terminar o mês em situações financeiras completamente diferentes. Contrato, propriedade do fonograma, composição, distribuição, equipe, turnê, merchandising e outras fontes de receita mudam o resultado.

Hoje o artista precisa construir um negócio ao redor da música

Essa realidade ajuda a explicar por que carreira artística passou a exigir muito mais do que lançamento. Persona, audiovisual, presença digital, shows, comunidade, merchandise e estratégia de catálogo deixaram de ser acessórios.

É também por isso que programas de descoberta e desenvolvimento ganham importância. A Rap Growing mostrou recentemente como o Fresh Finds Forward tenta ampliar suporte para independentes. O desafio, porém, continua sendo transformar descoberta em uma carreira que sobreviva depois do primeiro pico de atenção.

O streaming ampliou a porta de entrada e fez a música brasileira circular como nunca. A discussão de 2026 é outra: como garantir que existir dentro da plataforma também seja suficiente para continuar fazendo música fora dela.

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