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Música

NOG quer matar ou reviver o próprio passado em “DEJA VU!”

Novo single recupera a agressividade, as mudanças de flow e as rimas cortantes que marcaram o rapper, mas transforma a nostalgia em confronto com a própria trajetória.

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NOG quer matar ou reviver o próprio passado em “DEJA VU!”

NOG não escolheu o título “DEJA VU!” por acaso. O novo single coloca o rapper diante de uma sensação conhecida por quem acompanha sua carreira: a impressão de reencontrar aquela versão agressiva, técnica e imprevisível que ajudou a transformar seu nome em referência dentro do rap nacional. A diferença é que esse retorno não soa como simples nostalgia. A faixa trata o passado como adversário.

Lançada com videoclipe no canal oficial do artista, “DEJA VU!” tem produção de Teo Guedx e Pedro Brando. O instrumental abre espaço para mudanças de flow, ataques diretos e uma interpretação que recupera a tensão das fases em que NOG parecia rimar como se cada verso precisasse provar alguma coisa. O rapper revisita essa energia depois de anos de mudanças pessoais, estéticas e profissionais.

O antigo NOG ainda existe?

Essa é a pergunta que move a música. Ao longo da carreira, NOG precisou lidar com um tipo particular de cobrança: parte do público deseja evolução, enquanto outra parte espera que ele reproduza para sempre a mesma postura, a mesma voz e o mesmo impacto de quando ganhou projeção nacional. “DEJA VU!” entra justamente nesse conflito.

O artista não tenta imitar uma gravação antiga. Ele recupera ferramentas que sempre fizeram parte de sua identidade, como a dicção acelerada, o jogo de palavras, a ironia e a capacidade de alterar a intensidade dentro do mesmo verso. O passado aparece como matéria-prima, não como fantasia de uma época que pode ser repetida sem consequências.

Matar ou reviver a própria versão do passado

Existe uma agressividade diferente quando um rapper deixa de mirar apenas os rivais e passa a confrontar a própria história. Em “DEJA VU!”, NOG parece medir forças com a imagem que o público construiu dele. Reviver essa versão pode significar recuperar fome e precisão. Matá-la pode ser a única maneira de não ficar preso a uma expectativa criada anos atrás.

É essa ambiguidade que torna o lançamento mais interessante do que uma tentativa de agradar fãs antigos. A faixa funciona porque não responde completamente se o NOG do passado voltou. Ela mostra que aquela presença continua dentro do artista, mas agora precisa dividir espaço com tudo o que aconteceu depois.

Um lançamento que recoloca a caneta no centro

Num momento em que muitos lançamentos dependem mais de prévia, estética e campanha do que da música, NOG aposta novamente na performance. O videoclipe ajuda a construir a atmosfera, mas o centro está na voz, na escrita e na maneira como ele conduz o beat.

“DEJA VU!” não resolve a relação do rapper com o próprio passado. Faz algo melhor: transforma essa relação em música. NOG não precisa escolher entre ser exatamente quem era ou abandonar tudo o que construiu. Ele pode usar a antiga agressividade como arma para abrir uma fase nova.

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Música

UnderSesh retorna em setembro com novo formato e mais espaço para o underground brasileiro

Projeto de Long Beatz prepara nova fase depois de conectar nomes experientes e revelações em sessões audiovisuais de estética crua.

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UnderSesh retorna em setembro com novo formato e mais espaço para o underground brasileiro

O UnderSesh retorna em setembro com uma proposta renovada e a intenção de aumentar o espaço destinado a artistas do underground brasileiro. Criado por Long Beatz, o projeto inicia uma nova fase depois de construir sua identidade com sessões audiovisuais marcadas por beats inéditos, estética de estúdio e encontro entre diferentes gerações do rap.

Segundo informações repassadas à Rap Growing, o retorno terá um novo formato pensado para ampliar oportunidades. A mudança chega num momento em que artistas independentes precisam não apenas de distribuição, mas de contexto visual, produção e plataformas capazes de apresentar sua identidade para um público maior.

O que o UnderSesh construiu até aqui

A primeira fase nasceu com “Analógico”, parceria de Long Beatz com Funkero e Drow Beats. A faixa apresentava a proposta de recuperar a energia do boom bap e colocar MCs dentro de um ambiente de performance mais direto.

Outros episódios aproximaram nomes consolidados e artistas em ascensão. Xamã, Funkero, Leal, Neo, Spike MC e diferentes convidados passaram pelo universo do projeto, que usa câmeras próximas, luz baixa e produção musical como elementos da narrativa.

Mais oportunidades precisam significar mais do que volume

A promessa de abrir espaço ao underground é importante porque a cena brasileira produz mais artistas do que as grandes plataformas conseguem absorver. Muitos projetos têm música pronta, mas não dispõem de equipe audiovisual, divulgação, direção artística ou acesso a canais com público consolidado.

O desafio do novo UnderSesh será transformar participação em desenvolvimento real. Dar oportunidade não significa apenas publicar um vídeo. Significa apresentar corretamente o artista, valorizar sua ficha técnica, conectar o episódio a outras plataformas e criar continuidade depois do lançamento.

Long Beatz como curador e produtor

Long Beatz ocupa uma posição importante nessa estrutura porque não aparece somente como dono do canal. Ele participa da construção musical, escolhe os encontros e ajuda a criar o ambiente no qual cada MC precisa encontrar sua melhor versão.

Essa curadoria pode ser decisiva na nova fase. Um projeto de sessões ganha força quando cada episódio possui personalidade e quando a escolha dos convidados revela algo sobre a cena. Misturar nomes conhecidos e talentos ainda pouco documentados permite atrair audiência sem transformar o underground em figuração.

Os detalhes completos sobre calendário, participantes e funcionamento do novo formato ainda serão apresentados oficialmente. O que já está definido é a direção: o UnderSesh volta neste mês tentando ampliar sua função como vitrine e criar caminhos para que mais artistas brasileiros deixem de circular apenas dentro de suas próprias bolhas.

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Entretenimento

Tom Hardy larga o personagem e entrega rap pesado ao lado do Czarface

Ator assume o nome Frankie Pulitzer em álbum de 15 faixas com Inspectah Deck, Esoteric, 7L, Method Man, Busta Rhymes e EL-P.

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Tom Hardy larga o personagem e entrega rap pesado ao lado do Czarface

Tom Hardy lançou um álbum de rap, mas “Czarface Meets Frankie Pulitzer” está longe de ser uma brincadeira montada para aproveitar a fama de um ator. O projeto saiu em 28 de agosto com 15 faixas e 47 minutos, colocando Hardy dentro do universo pesado, empoeirado e cheio de referências criado pelo Czarface.

O ator aparece como Frankie Pulitzer ao lado do trio formado por Inspectah Deck, do Wu-Tang Clan, Esoteric e o produtor 7L. Method Man, Busta Rhymes e EL-P também participam do disco, o que coloca Hardy cercado por MCs acostumados a uma escrita técnica e por uma produção que não facilita a entrada de convidados ocasionais.

Tom Hardy já rimava antes de Hollywood

A relação do ator com o rap começou décadas antes deste álbum. Na adolescência, Hardy chegou a ter um contrato musical e gravou material sob o nome Tommy No. 1. Uma mixtape feita em 1999 com o produtor Edward Tracy apareceu na internet em 2018 e revelou que a música não era um interesse recente.

Como Frankie Pulitzer, ele já havia colaborado com o Czarface em 2021 e voltou a aparecer em “Knull & Void”, faixa com Method Man lançada em 2024. O novo disco desenvolve essa parceria em vez de apresentar o ator como atração solta.

Boom bap, quadrinhos e cinema

O Czarface construiu sua identidade misturando rap de Nova York, estética de histórias em quadrinhos e personagens maiores do que a vida real. O encontro com Hardy amplia esse universo. A produção trabalha com baterias secas, texturas cinematográficas e samples que deixam espaço para versos cheios de referências.

O ator cita filmes, personagens da Marvel, obras de Stephen King e nomes como Nicolas Cage e Willem Dafoe. Em “Grim-Visaged War”, chega a recuperar a voz de Bane, personagem que interpretou em “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, para recitar Shakespeare.

Ele consegue acompanhar os veteranos?

Hardy não tenta soar como um rapper de rádio. Sua entrega é grave, densa e por vezes teatral, o que combina melhor com a atmosfera do Czarface do que uma tentativa de buscar refrões populares. Existem momentos em que a interpretação ainda carrega rigidez, mas a dedicação à escrita e ao ritmo impede que o projeto soe como paródia.

O maior acerto está na escolha do ambiente. Em vez de lançar um disco genérico apoiado em sua imagem, Hardy entra numa linguagem já consolidada. Inspectah Deck, Esoteric e 7L mantêm o centro do projeto, enquanto Frankie Pulitzer funciona como personagem e MC.

“Czarface Meets Frankie Pulitzer” é pesado porque entende de onde quer tirar seu peso. O álbum olha para boom bap, quadrinhos, terror, cinema e cultura pop sem suavizar a produção para acomodar uma celebridade. Tom Hardy não pede licença para brincar de rap. Ele entra num universo difícil e aceita ser julgado pelas mesmas regras.

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Música

Open Mic Brasil chega à 8ª edição com Neo BXD e mira um novo salto de audiência

Projeto da CMK Beats, desenvolvido em parceria com a Rap Growing, volta a colocar um MC diante de banda ao vivo, instrumentais pesados e gravação sem segunda tentativa.

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Open Mic Brasil chega à 8ª edição com Neo BXD e mira um novo salto de audiência

O Open Mic Brasil está de volta para sua oitava edição com Neo BXD no centro da sessão. O projeto idealizado pela CMK Beats, sob liderança criativa de Tiankris e com a Rap Growing como parceira oficial, retoma uma proposta que cresceu justamente por colocar o artista fora da zona de conforto.

No Open Mic, o rapper não entra apenas para cantar sobre uma base pronta. Guitarra, baixo e bateria formam uma banda ao vivo, enquanto os arranjos aproximam rap e rock. A gravação preserva o risco da performance: se o MC errar, precisa continuar. Essa tensão faz parte do resultado.

Neo BXD chega com experiência de batalha e presença de palco

A escolha de Neo BXD para a oitava edição amplia a conexão do projeto com o freestyle. Conhecido pela intensidade nas batalhas, pelas respostas rápidas e pela maneira como ocupa o palco, o MC carrega ferramentas que combinam com um formato gravado ao vivo.

O desafio agora é transformar essa energia competitiva em música. Uma batalha exige reação ao adversário. Uma sessão exige construção, respiração e capacidade de dialogar com músicos que também podem alterar a dinâmica da faixa em tempo real.

Um formato que não trata a banda como decoração

O diferencial do Open Mic Brasil está na maneira como a banda participa da narrativa. A guitarra cria tensão, o baixo sustenta o peso e a bateria muda a sensação de andamento. O MC precisa encontrar espaço dentro dessa massa sonora sem perder articulação e presença.

Essa combinação ajuda a tirar o rap de uma fórmula repetida. O projeto não sugere que banda ao vivo seja superior ao beat eletrônico. A proposta é testar outro tipo de performance e mostrar como artistas conhecidos por contextos diferentes respondem quando a música exige adaptação imediata.

Da experiência ao crescimento

Em menos de um ano, os episódios e cortes do Open Mic Brasil ultrapassaram 7 milhões de reproduções nas plataformas, segundo o acompanhamento interno do projeto. O número mostra que existe público para sessões mais longas, performance real e encontros entre linguagens que não dependem de uma tendência passageira.

A oitava edição chega com a missão de converter esse alcance em continuidade. Para crescer, o Open Mic precisa manter frequência, apresentar artistas de diferentes gerações e fazer com que cada episódio tenha identidade própria. Neo BXD oferece justamente uma possibilidade de renovação, porque aproxima o projeto do público das batalhas e de uma geração acostumada a consumir rima em cortes de alta intensidade.

O Open Mic Brasil não tenta esconder o risco. Ele transforma esse risco em linguagem. Com Neo BXD, a oitava edição reforça que um microfone, uma banda e uma única chance ainda podem produzir algo difícil de reproduzir por algoritmo.

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