Ele saiu de uma situação complicada do Regime Venezuelano e vem evoluindo a cada faixa lançada, usando rimas em espanhol e inglês fluente!
Conte-nos mais sobre você, sua infância e entrada no HipHop
A música impactou minha infância porque me ajudou a sobreviver ao bullying durante a escola. O Hip Hop é uma fonte de empoderamento e foi criado para lutar contra o racismo ou o abuso de poder das autoridades, mas no meu caso, eu lutava contra o abuso de professores e alunos, sendo um imigrante neurodivergente na Europa. O hip hop me deu força e confiança para não desistir da vida.
Q: Quais são seus planos para crescer sua base de fãs e compartilhar sua música com o mundo? Qual a mensagem para quem está prestes a descobrir “Scarhop”?
Meu plano é continuar sendo consistente, e no momento estou criando conexões com comunidades online que me ajudarão a expandir minha base de fãs. Um salve para o Sancri Radio Show e o Dis Is Hip Hop dos Estados Unidos. Respeito para Bluey Bluetooth e DJ AG do Reino Unido. Eles têm apoiado meu conteúdo nas redes sociais recentemente, e vejo um bom futuro trabalhando com eles.
Minha mensagem para quem for me descobrir é: aproveite a jornada e sinta a vibração do meu trabalho. É algo para ser vivido com emoções honestas, para então entender e apreciar a mensagem por trás das minhas letras.
Q: Quem é o artista mais inspirador para você no momento? Onde busca inspiração para criar música?
No momento, me inspiro no trabalho de Kendrick Lamar e Doechii. Também gosto de artistas do Reino Unido, como Dave e Little Simz. Na comunidade hispânica, admiro o trabalho da minha irmã Mariana Salazar, além de Kali Uchis e artistas como Residente, do Calle 13.
Q: Pode nos contar a história ou mensagem por trás da música “Josefina”?
A música é uma homenagem à minha avó Josefina, que faleceu há alguns anos. Descanse em paz, Josefina Rodriguez Clemente. É uma faixa de reggaeton, mas diferente do estilo comum, onde as letras costumam objetificar mulheres. Eu conto a história de uma mãe solteira que sobreviveu em um país perigoso como a Venezuela e dedicou sua vida inteira à família.
Q: Se pudesse descrever seu som em uma palavra para novos ouvintes, qual seria?
Minha sonoridade em uma palavra é “motivação”.
Q: Você enfrentou desafios ao escrever ou gravar “Josefina”?
Sim, compus a música poucos dias após o falecimento da minha avó Josefina. Foi um processo emocionalmente desafiador, mas também uma grande inspiração para criar uma canção bonita dedicada a alguém que eu amava profundamente.
Q: Qual é a mensagem da sua música? E quais são seus objetivos como artista?
Minhas músicas contam histórias pessoais sobre mim e o mundo, minhas próprias experiências e minha visão dos acontecimentos passados e atuais. Falo de temas como imigração, frustrações pessoais, rejeição, saúde mental, vícios e justiça social.
Meu objetivo como artista é deixar um legado artístico como imigrante latino, garantindo riqueza para minha família, para que possamos continuar criando música, literatura e arte.
Q: Qual seria sua colaboração dos sonhos (vivo ou morto)?
Kendrick Lamar, Doechii, Eminem, Tupac, Bob Marley, Canserbero, Amy Winehouse, Linkin Park e Nirvana.
Q: Qual o seu conselho para quem quer seguir carreira na música ou entrar na indústria?
Nunca desista e tenha certeza de colaborar com uma plataforma que possa te conectar a um público real.
Q: Se pudesse voltar no tempo e dar um conselho para o seu eu mais jovem, qual seria?
Não pense demais na rejeição, mantenha o foco em você mesmo e nunca desista, não importa o que aconteça.
Em um momento onde grande parte da música busca repetir fórmulas prontas, Zaki escolheu outro caminho. O artista lançou seu primeiro álbum completo de estúdio, “Dracaena”, projeto já disponível nas plataformas digitais e construído como uma verdadeira experiência sensorial, estética e narrativa.
Com base na black music, mas atravessando diferentes gêneros com naturalidade, o disco propõe uma releitura da música popular brasileira sob uma visão contemporânea e futurista. O resultado conecta periferia urbana, raízes rurais, espiritualidade e identidade nacional dentro de uma mesma obra.
Um álbum que olha para o passado para imaginar o futuro
“Dracaena” nasce da busca por sonoridades autênticas e fora do convencional. Ao lado do produtor DJ Samu, Zaki construiu uma atmosfera que resgata memórias musicais brasileiras para projetar novas possibilidades estéticas.
Mais do que um álbum, o projeto funciona como uma proposta de nova MPB: moderna sem romper com a origem, experimental sem perder sentimento, brasileira sem precisar se explicar.
Instrumentos afro-brasileiros e indígenas em diálogo com beats modernos
Um dos grandes diferenciais do disco está na instrumentação. “Dracaena” utiliza mais de 10 instrumentos de origem afro-brasileira e indígena, entre eles cuíca, zabumba e berimbau, misturados a produções eletrônicas contemporâneas.
Essa fusão cria uma sonoridade rara no mercado atual. O orgânico encontra o digital sem parecer colagem forçada. Tudo soa vivo, conectado e intencional.
Referências culturais e identidade brasileira
As faixas também carregam recortes e samples que homenageiam nomes fundamentais da cultura nacional. Referências a Rita Lee, Elza Soares e Glória Maria ajudam a ampliar o alcance simbólico do álbum.
É um trabalho que entende cultura como continuidade — onde passado e presente conversam o tempo inteiro.
Espiritualidade, memória e crítica social
Nas temáticas, Zaki mergulha em questões profundas como sincretismo religioso, construção de identidade e opressões sociais. Entre os destaques do projeto está um mantra em formato de trap eletrônico dedicado a Nossa Senhora Aparecida, além de homenagens à avó baiana do artista e às entidades de matriz africana.
Essa camada espiritual não aparece como estética vazia, mas como parte real da narrativa construída no álbum.
Visual forte e universo coeso
Com vivência no teatro e olhar apurado para o audiovisual, Zaki também desenvolveu uma identidade visual consistente para “Dracaena”. O projeto inclui quatro videoclipes lançados anteriormente, agora integrados ao universo completo do disco.
A capa do álbum foi confeccionada manualmente pelo próprio artista, utilizando papelão e costura, criando textura tátil e reforçando o caráter artesanal da obra.
Já a identidade visual trabalha tons terrosos e alaranjados, conectando o projeto à terra, à ancestralidade e ao calor simbólico da cultura brasileira.
Uma estreia que chega com proposta clara
“Dracaena” não é um álbum feito para seguir tendência. É uma estreia que já nasce com direção artística definida, coragem criativa e senso de identidade raro para um primeiro disco.
Zaki chega propondo algo que muita gente fala, mas poucos conseguem entregar: originalidade com fundamento.
Em 2024, o cearense West Reis fez mais do que lançar um projeto — ele se apresentou de vez para o cenário. “Menino Reis”, álbum com 8 faixas, chegou como um cartão de visita sólido, autoral e com identidade própria, daqueles que não dependem de fórmula pra funcionar.
O impacto veio rápido. O projeto já ultrapassa a marca de 400 mil streams nas plataformas digitais, com destaque para “Último Dia”, faixa que conta com participação de WIU e soma cerca de 200 mil plays de forma orgânica.
Mais do que números, a música ganhou força pelo conteúdo. A faixa mergulha em temas como tempo, escolhas e finitude — assuntos que, quando tratados com verdade, atravessam qualquer bolha.
Controle criativo e identidade forte
Um dos pontos que mais chama atenção em “Menino Reis” é o nível de controle criativo assumido por West. O artista esteve à frente de praticamente todas as etapas do projeto: escolha de beats, mixagem e direção musical.
Isso se reflete diretamente no resultado. O álbum não soa fragmentado — ele é coeso. Existe uma linha estética clara, tanto no som quanto no visual, algo que ainda é raro dentro da cena independente.
Vivência real acima de hype
As participações seguem essa mesma lógica. Doode, Jvion e Jean da Rocinha não estão no projeto por estratégia de alcance, mas por conexão real. São artistas que fazem parte da caminhada, e isso aparece na forma como as músicas se constroem.
Esse tipo de escolha fortalece o que talvez seja o principal pilar do álbum: autenticidade. “Menino Reis” não tenta parecer algo — ele é.
Trap nordestino com identidade
Sonoramente, West transita entre o trap e o funk, criando um equilíbrio que carrega tanto peso quanto musicalidade. Mas o diferencial não está só na sonoridade, e sim na forma como ele usa isso para contar história.
Existe vivência nas linhas, existe contexto, existe rua. E quando isso aparece de forma natural, o público sente.
Um nome pra ficar de olho
“Menino Reis” marca o início de uma fase. Não é um projeto que tenta provar tudo de uma vez, mas que deixa claro que existe direção, identidade e vontade de construir algo maior.
West Reis ainda está no começo da caminhada — mas com um ponto de partida desse, o movimento já começou a chamar atenção.
O menino cresceu. E agora, o resto do país começa a perceber.
Onde ouvir
O álbum“Menino Reis” já está disponível nas plataformas digitais.
O grupo paulistano Protesto V apresentou o audiovisual de “Uma Dose de Esperança”, um dos lançamentos mais simbólicos da nova fase do grupo e faixa que integra o álbum Resgatando Autoestima. Gravado com imagens reais no centro de São Paulo e na comunidade São Remo, na zona Oeste da capital, o clipe constrói uma narrativa sobre fé, sobrevivência e recomeço.
O trabalho aposta em uma linguagem visual que mistura cinema e inteligência artificial, mas sem perder o vínculo com o território. Em vez de usar tecnologia como enfeite, o audiovisual coloca esse recurso a serviço de uma mensagem maior: a de que ainda existe espaço para esperança em meio à dureza da vida urbana.
Uma música que rompe com a linha mais agressiva do grupo
Para Patê, fundador e principal voz do Protesto V, “Uma Dose de Esperança” ocupa um lugar diferente dentro da trajetória do grupo. Conhecido por letras de contestação, denúncia e enfrentamento, o Protesto V escolheu aqui um caminho mais sensível, sem abandonar a verdade que sempre marcou sua identidade.
“Uma Dose de Esperança é um tema forte. É uma música diferente, que quebra um pouco a contestação que a gente sempre trouxe, aquele rap gangsta, consciente, antissistema, para falar de algo que todo mundo precisa: esperança.”
A faixa nasceu de uma ideia desenvolvida por Patê ao lado de Dox Bacari, do grupo Manos Urbanos, e reúne ainda participações de Sonny, do Rota de Colisão, além de Dudinha, que assina o refrão.
Autoestima como conceito central
Mais do que uma música isolada, “Uma Dose de Esperança” dialoga diretamente com o conceito do álbum Resgatando Autoestima. A proposta do disco já indica um olhar voltado à reconstrução emocional e simbólica das pessoas que atravessam realidades difíceis, e a faixa se encaixa exatamente nesse eixo.
“O tema do nosso disco já fala em resgatar a autoestima, e eu vejo que essa música levanta a autoestima das pessoas.”
Essa escolha reforça uma dimensão importante do rap feito na periferia: além da denúncia, ele também pode ser ferramenta de acolhimento, força e reconstrução.
Centro, quebrada e tecnologia na mesma narrativa
Produzido por Policeno, o videoclipe foi gravado com imagens reais em dois pontos simbólicos: o centro de São Paulo e a comunidade São Remo. A escolha das locações amplia a força do vídeo, porque conecta a música a cenários concretos, marcados por desigualdade, circulação e sobrevivência.
Ao mesmo tempo, o uso de sequências criadas com inteligência artificial amplia os caminhos visuais do projeto e adiciona novas camadas ao discurso. O resultado é um clipe que experimenta sem romper com a realidade — pelo contrário, parte dela para criar novas possibilidades de leitura.
Música, comunicação e realidade social
O audiovisual também reforça o elo entre rap, comunicação e periferia ao reunir participações de Fábio Rogério, apresentador do programa Espaço Rap, da Rádio 105.1 FM, e do jornalista Marcos Zibordi. A presença dos dois nomes ajuda a ampliar o peso simbólico do trabalho e conecta a música a uma tradição de comunicação comprometida com a cidade e com a cultura de rua.
“Uma Dose de Esperança” se firma, assim, como um lançamento que vai além da canção. É uma peça de discurso, imagem e sensibilidade — uma obra que mostra o Protesto V expandindo sua linguagem sem abandonar sua origem.
Onde assistir e ouvir
O clipe de“Uma Dose de Esperança” está disponível no canal oficial do Protesto V no YouTube, e a faixa também pode ser ouvida nas plataformas digitais.