A Microsoft atribuiu a um grupo hacker alinhado ao Estado chinês, chamado Storm-0940, um ataque à cadeia de fornecedores da empresa de TI ConnectWise que mirou centenas de organizações no mundo. Segundo a área de inteligência de ameaças da Microsoft, os invasores usaram agentes de inteligência artificial para acelerar o abuso de acessos e chegaram a fazer até 2.900 tentativas de login por minuto.
A campanha foi divulgada na quarta-feira (21) e, de acordo com a agência Reuters, reproduzida pelo The Star, teve como porta de entrada o serviço ConnectWise Cloud Backup. O caso entrou numa onda de alertas de segurança destacada pelo perfil @technology no Instagram.
Como o ataque com IA funcionou
Segundo o Business Today, que detalhou o relatório da Microsoft, o grupo primeiro assumiu identidades ligadas a aplicativos de nuvem da ConnectWise. Depois, agentes de IA aproveitaram a confiança que esses aplicativos já tinham para entrar nos ambientes dos clientes sem precisar de login interativo de um usuário. A ferramenta usada foi o ARTEX, um framework aberto de testes de invasão que permite plugar qualquer modelo de IA para automatizar tarefas.
Os números do relatório: mais de 2.250 ambientes corporativos em nuvem visados, mais de 151 mil tentativas de login fracassadas e, em alguns casos, acesso indevido em menos de três horas após o primeiro alvo. A campanha começou por volta de setembro. Em um caso, um aplicativo se deu o papel de administrador global.
Setores atingidos e respostas
A maior parte das tentativas não teve sucesso, mas o grupo conseguiu acesso persistente e privilegiado em muitas organizações, segundo a Reuters. Entre os setores visados estão aeroespacial, defesa, automotivo, energia, serviços financeiros, governo, jurídico, mídia, semicondutores, software e organizações sem fins lucrativos.
O CEO da ConnectWise, Manny Rivelo, disse que “aparentemente um grupo alinhado ao Estado chinês foi responsável pelo ataque” e que a empresa isolou as conexões afetadas e restaura os serviços em etapas. A embaixada da China em Washington afirmou que o país “se opõe e combate atividades de hacking de acordo com a lei”.
O que a Microsoft recomenda
A orientação para empresas é investigar logins suspeitos de aplicativos, revisar mudanças inesperadas em credenciais e permissões de apps e seguir as instruções de contenção da ConnectWise. Para quem trabalha com música e conteúdo, o recado vale também: contas e ferramentas conectadas entre si são porta de entrada. A Rap Growing já tratou de como a IA muda a produção cultural, como no alerta do criador de Smash Bros. sobre games feitos em série.
Fontes e créditos
Atribuição, setores, falas da ConnectWise e da embaixada chinesa: Reuters, via The Star. Números do relatório, uso do ARTEX e recomendações: Business Today. Imagem de capa: prédio 92 do campus da Microsoft em Redmond, por Jiaqian AirplaneFan, via Wikimedia Commons (CC BY 3.0).