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Rap Nacional

Adriel Bicho Solto mistura drill e Olodum e transforma o encontro em “Olodrill”

Adriel Bicho Solto lança “O Peão Virou Rei”, álbum de 11 faixas que une drill, referências do Olodum e trajetória pessoal.

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Adriel Bicho Solto no lançamento do álbum O Peão Virou Rei

Adriel Bicho Solto lançou “O Peão Virou Rei”, segundo álbum solo da carreira, com uma proposta que ele chama de “Olodrill”. O conceito parte do encontro entre a estrutura do drill e referências musicais e culturais ligadas ao Olodum.

Com 11 faixas, o disco chegou às plataformas em 25 de setembro e usa tambores, graves, samples afro-baianos e a agressividade rítmica do drill para construir uma linguagem que acompanha a trajetória do rapper baiano.

O “Olodrill” nasce do encontro entre ancestralidade e música urbana

Adriel não apresenta a ideia como simples sobreposição de percussão baiana a beats de drill. A proposta é tratar o Olodum como referência de identidade, resistência e memória, enquanto o drill ocupa o papel de linguagem urbana que conduz o disco.

Esse caminho já vinha aparecendo antes do álbum. “Outras Queixas” aproximava drill e samba-reggae, enquanto “REI” utiliza sample de “Faraó Divindade do Egito”, na voz de Margareth Menezes. “VIROU” usa trecho de “Chicleteiro Eu, Chicleteira Ela”, do Chiclete com Banana.

Ao transformar essas referências em rap contemporâneo, o projeto entra numa tradição maior de renovação interna da cultura. A Rap Growing também acompanha esse tipo de movimento quando olha para a história de espaços como a Batalha da Aldeia e seu impacto sobre novas gerações de MCs.

“O Peão Virou Rei” também conta uma história de deslocamento

O título parte de uma regra do xadrez: quando o peão atravessa o tabuleiro, pode ser promovido. Adriel usa essa imagem para representar a própria mudança de Alagoinhas, na Bahia, para São Paulo.

As letras atravessam dificuldades financeiras, discriminação, perdas familiares e a necessidade de reconstrução. O artista descreve as 11 faixas como diferentes versões de si mesmo, conectadas por experiências pessoais vividas ao longo da trajetória.

“Eu sou peça e jogador desse tabuleiro chamado vida.”

Adriel Bicho Solto, ao apresentar o conceito de “O Peão Virou Rei”

A produção reúne Rzl Prod, Edu Beats, Scooby e Junior Carvalho. Os arranjos são de Rzl Prod, que também divide mixagem e masterização com TW O Procurado.

Mais de duas décadas de hip-hop chegam a uma nova fase

Adriel começou no rap gospel aos 17 anos, passou pelo grupo Sangue Real e entrou em uma nova etapa solo em 2023. O novo álbum tenta condensar essa bagagem em uma assinatura sonora própria.

“O Peão Virou Rei” interessa justamente porque não trata a tradição baiana como ornamento. O álbum coloca referências locais no centro da construção estética e tenta mostrar que ancestralidade e linguagem contemporânea podem ocupar o mesmo beat sem uma anular a outra.

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