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Rap Nacional

Relembre o Disco: “O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui”, a estreia de Emicida em álbum

Lançado em 2013 pela Laboratório Fantasma, o primeiro álbum de estúdio de Emicida juntou rap, samba e MPB e foi eleito o disco do ano pela Rolling Stone Brasil.

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Emicida canta ao microfone sob luzes roxas no festival Sónar São Paulo em 2012

Até 2013, Emicida já era um nome grande do rap nacional sem nunca ter lançado um álbum de estúdio. Tinha duas mixtapes, dois EPs, uma reputação construída nas batalhas e uma gravadora própria, a Laboratório Fantasma. Em 21 de agosto daquele ano, o título da estreia brincava justamente com isso: “O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui”.

Ficha técnica e sonoridade

Todas as faixas foram produzidas por Felipe Vassão, com mixagem de Maurício Cersósimo e masterização de Tony Dawsey, no estúdio Masterdisk, em Nova York. A base é rap, mas o disco abre portas para a MPB, como em “Sol de Giz de Cera”, com Tulipa Ruiz, e para o samba, em “Trepadeira” e “Samba do Fim do Mundo”. A lista de participações reflete essa mistura: Juçara Marçal, Fabiana Cozza, MC Guimê, Rael e Rashid estão entre os convidados.

“Crisântemo”, “Hoje Cedo” e os singles

O primeiro single foi “Crisântemo”, lançado em maio de 2013 com clipe. É uma faixa autobiográfica sobre o pai do rapper e traz lembranças narradas pela mãe, Dona Jacira. Em julho veio “Hoje Cedo”, com a roqueira Pitty, em tom mais agressivo, um encontro improvável na época que ajudou o disco a circular para além do público do rap. “Levanta e Anda” ganhou status de single em 2014.

Disco do ano e show do ano

A recepção foi imediata. O álbum apareceu no topo das principais listas de melhores de 2013 e foi eleito o disco do ano pela Rolling Stone Brasil. Emicida levou o prêmio da APCA na categoria Intérprete, e o show da turnê foi escolhido o melhor de 2013 pelo Guia da Folha de S.Paulo.

Por que ouvir de novo

“O Glorioso Retorno” é o ponto em que Emicida passa de MC respeitado nas rodas para artista de alcance nacional, abrindo o caminho que levaria a “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa” e “AmarElo”. Também consolidou a Laboratório Fantasma como prova de que um selo independente, comandado pelo próprio artista, podia lançar um dos discos mais importantes do ano. Treze anos depois, ainda é uma aula de como unir rua, família e música brasileira em um único trabalho.

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