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Rap Nacional

Relembre o Disco: “Nó na Orelha”, o álbum em que Criolo levou o rap do Grajaú para o centro da música brasileira

Lançado de graça na internet em 2011, o segundo disco de Criolo misturou rap, afrobeat, samba e brega e venceu o VMB de álbum do ano.

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Criolo sorri no palco com o braço erguido em show de dezembro de 2010, época de Nó na Orelha

Em 25 de abril de 2011, um rapper do Grajaú, extremo sul de São Paulo, colocou na internet, de graça, um disco que mudaria o lugar do rap na música brasileira. “Nó na Orelha”, segundo álbum de Criolo, saiu em CD e vinil pela Livraria Cultura e em download gratuito pela Oloko Records, e em poucos meses transformou o MC conhecido nas rodas paulistanas em um dos nomes mais comentados do país.

Um rap que não cabia numa gaveta

Produzido por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, o disco rompeu com o som do trabalho anterior, “Ainda Há Tempo”. Em vez de um álbum de rap tradicional, “Nó na Orelha” passeia por afrobeat, reggae, samba e até brega, sem perder a crônica de quem cresceu na periferia. A abertura com “Bogotá” já deixa claro que a viagem é outra: metais, groove e uma letra que olha para fora do bairro sem esquecer de onde saiu.

A ficha técnica ajuda a explicar a mistura. Kiko Dinucci toca violão em “Mariô”, Rodrigo Campos leva cavaquinho e percussão para “Linha de Frente”, e Juçara Marçal e Verônica Ferriani aparecem nos vocais de apoio, nomes ligados à nova cena paulistana que, naquele momento, começava a conversar de perto com o rap.

“Não Existe Amor em SP” e os singles

O disco foi apresentado ao público aos poucos. “Subirusdoistiozin” saiu como single em dezembro de 2010; “Não Existe Amor em SP” chegou em março de 2011, semanas antes do álbum; “Freguês da Meia-Noite” e “Mariô” vieram depois. Foi “Não Existe Amor em SP”, porém, que virou retrato da cidade: uma balada sobre solidão e consumo que tocou muito além do público do rap.

VMB, Caetano e o reconhecimento

A crítica abraçou o disco. A Rolling Stone Brasil escolheu “Nó na Orelha” como o melhor álbum nacional de 2011 e “Não Existe Amor em SP” como a melhor música brasileira do ano. No VMB 2011, Criolo saiu com os prêmios de Álbum do Ano, Música do Ano e Artista Revelação, e dividiu o palco com Caetano Veloso para cantar “Não Existe Amor em SP”, uma imagem que resumiu a ponte que o disco tinha construído entre o rap e a MPB.

Por que ouvir de novo

Quinze anos depois, muito do que hoje parece natural no rap nacional, como discos que misturam gêneros, artistas circulando entre festivais de MPB e de rap e lançamentos independentes com alcance nacional, passa por “Nó na Orelha”. O álbum provou que um MC da quebrada podia ocupar o centro da música brasileira sem pedir licença e sem abrir mão do que tinha a dizer.

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