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Cultura Hip-Hop

Dois DJs, Kamau e Projota no palco: como Rashid transforma “Cumulonimbus” em show de rap sem atalhos

Turnê do novo disco esgotou o Sesc Belenzinho em minutos e lotou a Casa Natura Musical, com DJs como maestros e homenagens ao rap nacional.

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Rashid de gorro e óculos escuros canta ao microfone sob luz azul no show Cumulonimbus

A turnê de “Cumulonimbus”, disco de 2026 de Rashid, vem esgotando ingressos em São Paulo. O primeiro show, no Sesc Belenzinho, em setembro, vendeu tudo em minutos, e a apresentação seguinte lotou a Casa Natura Musical, em Pinheiros, com um público que sabia cada faixa de cor, segundo a resenha da Rolling Stone Brasil.

Antes de subir ao palco, Rashid resumiu o desafio: “O peso do disco precisa de uma entrega a mais no palco. Precisa de um passo além na emoção, para a gente conseguir transmitir de fato o que precisa ser e criar esse mundo de Cumulonimbus”.

Dois DJs como maestros

A formação chama atenção: os DJs Mr. Brown e Vitonez ocupam as laterais do palco, com Aya nos vocais de apoio e um carro com o adesivo do movimento Defensores da Arte do Gueto na cenografia. “Ele [o DJ] é o maestro do show, o maestro da cultura. A cultura nasceu na mão do DJ”, explicou o rapper. Na prática, os dois conduzem as transições e constroem camadas ao vivo. O melhor exemplo é “Olha Bem”: antes da faixa, eles tocam um trecho de “O Começo”, de Gonzaguinha, e o cortam e remixam na frente do público até revelar o sample usado no disco.

Os momentos do repertório

O show abre com a faixa-título e passa por “O Que Dizem os Números”, que transforma dados sobre desigualdade em rima e vira coro da plateia, número por número. “Criado por Mulheres” traz o momento mais emotivo, e “Defensores da Arte do Gueto”, cheia de rimas multissilábicas, mostra a precisão técnica do rapper ao vivo. “É muita palavra, mano”, brincou ele sobre a dificuldade de cantar o disco no palco.

Entre as músicas, Rashid fez um discurso sobre o papel do hip-hop, lembrando que a cultura nasceu nos guetos de Nova York contra a violência e o racismo. “O hip hop jamais se ausentará de uma luta”, disse.

Homenagem ao rap nacional, com Kamau e Projota

Uma das propostas da turnê é reverenciar quem veio antes. “Se a gente tá falando sobre uma reafirmação do nosso compromisso, eu preciso fazer essas homenagens”, afirmou. Na Casa Natura, isso apareceu nas participações: Kamau dividiu o palco em “L’Appel du Vide”, a faixa mais introspectiva do disco, e Projota entrou em “Ouro, Mirra e Incenso”, o ponto alto da noite, recebido com euforia pelo público.

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