O Clube de Leitura do Rap abriu sua nova temporada no Sesc Vila Mariana com Parteum no centro da conversa. A atividade aconteceu no sábado, 22 de agosto de 2026, às 15h, com entrada gratuita, e colocou as letras “Raciocínio Quebrado” e “Raciocínio Inteiro” como material de leitura coletiva.
A ideia do projeto é simples, mas forte: tratar a letra de rap como literatura, documento de época e tecnologia de pensamento. Em vez de ouvir a música apenas como impacto sonoro, o encontro propõe uma pausa para ler, reler, discutir contexto, escolha de palavras, referências e camadas de interpretação.
Parteum é uma escolha precisa para abrir essa temporada. MC, produtor, pesquisador e articulador, ele sempre trabalhou o rap como uma linguagem que junta escrita, beat, desenho de cena e pensamento crítico. Sua obra não separa técnica de reflexão; a palavra entra como construção de sentido, não como enfeite em cima do instrumental.
Rap lido em voz alta muda de lugar
Quando uma letra sai do fone e vira leitura em grupo, ela muda de função. O verso deixa de ser só performance individual e passa a circular como texto coletivo. É aí que o rap aparece com sua potência mais ampla: narrar território, organizar memória, disputar linguagem e traduzir experiências que a cultura oficial muitas vezes tenta simplificar.
Segundo a programação divulgada, o Clube de Leitura do Rap foi criado por Nerie Bento, Marco Aurélio, o Marcola, e Viny Rodrigues. A dinâmica seleciona composições dos artistas convidados, distribui as letras ao público e transforma alguns trechos em ponto de partida para debate.
O encontro com Parteum também funciona como chave para uma conversa maior sobre a escrita no hip-hop brasileiro. A cultura do rap sempre produziu crônica, manifesto, autobiografia, crítica social e ficção urbana, mesmo quando parte do mercado insistiu em tratar tudo isso apenas como entretenimento.
A temporada continua com Hariel e Rico Dalasam
A programação segue em 16 de setembro com MC Hariel e em 17 de outubro com Rico Dalasam. A presença de Hariel amplia a ponte entre rap e funk, duas linguagens periféricas que dividem códigos de rua, tensão com o poder público, narrativa de sobrevivência e disputa de respeito estético.
Já Rico Dalasam leva o debate para outro campo de invenção: afeto, identidade, corpo e gênero dentro da música negra brasileira. O desenho da temporada mostra que o clube não está interessado em congelar o rap em uma única escola. A proposta é aproximar artistas que usam palavra, ritmo e performance para produzir conhecimento.
Para a Rap Growing, esse tipo de agenda importa porque ajuda a reposicionar a conversa sobre hip-hop. Não se trata apenas de celebrar artistas. Trata-se de reconhecer que o rap brasileiro criou biblioteca própria, com autores, estilos, contradições, escolas e leitores.
Serviço
Clube de Leitura do Rap – Sesc Vila Mariana
22 de agosto de 2026, 15h: Parteum
16 de setembro de 2026, 19h: MC Hariel
17 de outubro de 2026, 15h: Rico Dalasam
Endereço: Rua Pelotas, 141, Vila Mariana, São Paulo
Entrada gratuita e classificação livre.
Fontes consultadas
Foto de capa: Divulgação/Assessoria Bianco, via Sampa Online. Referência visual ligada diretamente à temporada do Clube de Leitura do Rap.
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